JPP quer aumento para 70 cêntimos do valor da cana-de-açúcar paga ao produtor

O Juntos Pelo Povo (JPP) veio reafirmar a sua firme defesa dos produtores de cana-de-açúcar da Madeira ao propor um “aumento imediato” do valor pago ao produtor para 70 cêntimos por quilograma de cana entregue nos engenhos.

“Esta posição é da maior justiça porque surge num contexto de forte pressão sobre os custos de produção agrícola, de inflação persistente e de fraca remuneração face ao valor final dos produtos transformados, como a aguardente de cana”, diz o maior partido da oposição, acrescentando que a valorização agora proposta é para ser aplicada já na próxima época da safra, que está prestes a iniciar-se.

Nos últimos anos, o JPP tem acompanhado os agricultores e exercido “pressão constante” sobre as instâncias regionais para que os produtores recebam “uma remuneração justa, conseguindo “importantes vitórias para os produtores”, com a cana-de-açúcar a ser paga a 60 cêntimos/kg, ou seja, “quase ao dobro do preço que era paga ao agricultor em 2023”.

O deputado Rafael Nunes refere que, ao contrário da posição recente de “satisfação” manifestada pela secretaria regional de Agricultura e Pescas, “o JPP não está satisfeito”, e por isso avança com nova proposta: “Os aumentos alcançados são sempre positivos, mas podemos e devemos ir muito mais além. A realidade é que este valor continua desfasado face à evolução dos custos de produção e aos preços a que produtos derivados são vendidos ao consumidor final.”

Para ilustrar a discrepância económica, o parlamentar exemplifica: uma garrafa de aguardente de cana madeirense de 1 litro está colocada no mercado por valores que variam entre cerca de 23€ e acima dos 37€ (com base nos preços praticados em lojas online e garrafeiras especializadas), um valor substancialmente superior ao custo da matéria-prima paga ao agricultor.

“Esta diferença significativa no valor acrescentado demonstra claramente que a mão-de-obra agrícola, os custos operacionais e os riscos inerentes à produção agrícola não estão a ser adequadamente refletidos no preço pago ao produtor de cana”, sublinha.

Por outro lado, acrescenta, a inflação generalizada tem pressionado ainda mais os custos de produção, com agravamento de preços nos fitofármacos (remédios agrícolas), combustíveis, transporte, água para rega e aumento considerável da mão-de-obra qualificada, sem que tenha havido uma compensação equivalente nos preços pagos pela cana aos agricultores.

“Estes esforços produtivos são essenciais não só para preservar uma tradição agrícola centenária da Madeira, mas também para garantir matéria-prima suficiente à indústria transformadora local”, refere Rafael Nunes.

O JPP entende que pagar 70 cêntimos por kg ao produtor é uma medida necessária para restabelecer equidade económica, valorizar o trabalho agrícola e assegurar a continuidade de uma atividade que sustenta famílias, gera emprego rural e contribui para a identidade cultural e económica da Região Autónoma da Madeira.

O partido afirma, assim, que continuará a trabalhar, na Assembleia Regional e junto do Governo Regional, para que esta proposta seja considerada com seriedade, garantindo que os mecanismos de apoio compensam o esforço dos produtores e reforçam a sustentabilidade futura do sector.


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