O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) lamenta que a grande maioria dos colegas do Serviço de Urgência (SU) do Hospital Nélio Mendonça, na Madeira, tenham chegado ao ponto de emitirem o grito de alerta que representa a declaração de escusa de responsabilidade.
Queremos, contudo, serenar a população, os utentes. Não está em causa, nem poderia estar, o nível da prestação de cuidados de enfermagem. A escusa de responsabilidade apenas procura salvaguardar os direitos dos profissionais na ocorrência de algum evento indesejado, motivado por falta de condições humanas e/ou outras.
Antes de emitirmos este comunicado, o Sindepor cuidou de ouvir os colegas do SU para nos inteirarmos da situação com o maior rigor possível. Recordamos que este sindicato tem vindo a alertar, há vários anos, para a falta de enfermeiros no SU do Hospital Nélio Mendonça. Fizemo-lo perante vários responsáveis pela pasta da Saúde na região.
Esta questão continua por resolver e, por isso, propomos a imediata contratação de enfermeiros que se encontram em reserva de recrutamento. No caso do SU, faltam 4 a 5 enfermeiros por turno, pelo que são necessários mais 20 a 30 só para este serviço.
De referir que o Sindepor já alertara para a falta de cerca de 1000 enfermeiros, na totalidade do SESARAM, até 2030, uma vez que, segundo a Ordem dos Enfermeiros, cerca de 400 colegas irão reformar-se até 2030. Sabemos dos constrangimentos da falta de capacidade formativa da região, mas este é mais um argumento para a necessidade de iniciar rapidamente esse trabalho a montante.
Os responsáveis do SESARAM já vieram argumentar que o SU do Hospital Nélio Mendonça conta com 115 enfermeiros. Mas existe outra informação que não referiram. A que diz respeito ao absentismo, que neste serviço atinge os 25 a 30%. De notar que estamos perante um ciclo vicioso. Os enfermeiros encontram-se em exaustão, o que leva ao aumento do absentismo. Por sua vez, o absentismo provoca mais exaustão nos enfermeiros que têm de garantir o serviço.
Outra situação complexa é a das altas problemáticas, que neste momento atingem 230. Ou seja, são pessoas que não deviam estar a ocupar camas no hospital, mas estão. Para se perceber a dimensão do problema, estas 230 camas preenchem o equivalente a 3 pisos dos 8 do Hospital Nélio Mendonça.
Isto faz com que doentes que estão no SU precisem de permanecer lá mais tempo por falta de camas nos outros serviços para onde deveriam ser encaminhados, o que, naturalmente sobrecarrega a Urgência. Se a isto juntarmos questões como a sazonalidade da gripe ou o envelhecimento da população, percebemos como a pressão sobre este serviço atinge níveis perigosamente elevados.
Como solução rápida para este problema, o Sindepor aponta a contratação de enfermeiros que estão na reserva de recrutamento. Mas também temos algumas soluções a médio ou longo prazo. É o caso do aumento do espaço físico do SU no Hospital Nélio Mendonça.
E como nos preocupamos não apenas com os enfermeiros, mas também com a população, sugerimos que, quando o novo hospital entrar em funcionamento, o Nélio Mendonça fique a funcionar como unidade de retaguarda, garantindo, por exemplo, a prestação de cuidados às referidas altas problemáticas.
Isto, a par do necessário trabalho para resolver as altas problemáticas. Este trabalho tem de continuar a ser desenvolvido. O que estamos a propor é uma forma de evitar que o novo hospital fique com o seu bom funcionamento comprometido devido a estas altas problemáticas.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




