Rui Marote
A fachada do edifício e entrada da Universidade, na Rua dos Ferreiros, encontra-se em estado deplorável. Hoje fizemos uma paragem obrigatória para fotografar e dar conhecimento aos leitores das paredes descascadas, das janelas sem vidros. Parece não haver volta a dar à degradação do património.
O edifício foi vendido em tempos pelo Exército à Junta Geral, representada pelo engenheiro Rui Vieira, e ao Ministério da Educação, para a instalação de uma escola secundária, numa venda faseada, quando o Batalhão de Infantaria 19 passou para São Martinho, tendo sido escriturário da última fase da venda, em que o Exército se fez representar pelo coronel Carlos Lacerda.
O edifício passou a escola secundária [Gonçalves Zarco, durante muito tempo popularmente conhecida como “O Batalhão”] depois passando a Escola Superior de Educação, até passar a sede da Universidade da Madeira. Ao longo das décadas de 80 e 90 manteve mesmo assim utilizações militares, como a Cooperativa Militar e a ala de treino da Banda Militar.
A Diocese do Funchal, entretanto, conseguiu protelar o registo pelo Governo Regional, alegando que o mesmo havia sido doado pela rainha D. Maria I à diocese para seminário, embora omitindo, que o filho, depois D. João VI, o doou para quartel militar do Funchal. D. Teodoro Faria conseguiu aliás a cedência de uma parte do mesmo edifício, já com a Universidade da Madeira ali a funcionar, para instalação da Universidade Católica que só ali teve uma placa na porta virada ao Largo do Colégio (que já caiu), pois só ali funcionou, pontualmente, um curso de extensão universitária da Católica, ainda no final da década de 9o.
O edifício é, assim, da Região, como herdeira da antiga Junta Geral, que o comprou na década de 70 ao Exército, desconhecendo, no entanto, se já se conseguiu fazer o registo, dada a pressão da Diocese para ser ela a registar o edifício como sua propriedade. Mas como sempre, edifícios “resgatados” ao Governo da República, como a Fortaleza do Pico, ou a Fortaleza São Tiago não são exemplos pelo seu estado.
Relembramos a famosa campanha “É meu, é teu, é nosso” promovida pelo Diário de Notícias à Fortaleza de São Lourenço muito “cobiçada”. A mesma ainda está nas mãos da República que está a realizar trabalhos de restauro para combater a formiga branca. Arriscamos a dizer: se fosse nosso a formiga branca devorava tudo…
Nos quadros da Universidade consta um arquitecto para estes casos e outros. Mas parece que não há dinheiro para fazer obras pois a universidade no seu orçamento riscou a rubrica “conservação”do dicionário…
As fotos falam por si. Todos os dias os responsáveis entram e saem e frequentemente realizam-se neste local conferências em que altos responsáveis académicos e representantes do Governo Regional estão presentes. Mas ninguém parece ver a degradação patrimonial.
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