
A azáfama começou bem cedo nesta sexta feira. Os finalistas do “Liceu” e famílias mobilizaram-se em uníssono para viver um dia memorável. A cerimónia da Bênção das Capas une os estudantes do 12.º ano de escolaridade e famílias, há décadas, numa festa simbólica com sabor a tradição e mudança de ciclo de vida.
Logo no início da tarde, as cerca de cinco centenas de jovens e familiares concentraram-se na entrada da ESJM para as fotografias da praxe. A cidade segue com o olhar embevecido os jovens que se vestem a rigor, de capa e batina, enchendo de charme as ruas que desaguam no átrio do emblemático edifício do “Liceu”. Todos parecem que saltaram mesmo da moldura e cresceram a galope, são já homens e mulheres que estão prestes a entrar na aventura do ensino superior ou no mundo do trabalho. No 12.º ano, a responsabilidade torna-se maior, é fim de ciclo e a cerimónia da Bênção das Capas simboliza também o crescimento destes jovens.
O Conselho Executivo, presidido por Ana Isabel Freitas, tem manifestado o seu apoio à manutenção e enriquecimento desta tradição, acarinhando-a e orientando os jovens, porque é mais um passo significativo na conclusão do secundário. A madrinha dos finalistas, Dalila Pestana, caminha com os jovens, num compromisso cúmplice professor-aluno e vice-versa, os construtores da verdadeira educação nos bancos da escola.

Por isso, a festa é bonita. As capas pretas mergulham os corações na tradição e a foto de família junto à fachada central do “Liceu” é vivida com comoção. Depois, o tradicional desfile dos finalista, a pares, até à Sé do Funchal para a habitual cerimónia religiosa. Os olhares de madeirenses e turistas viajam com as capas pretas. Novamente, a tradição a desfilar pelas ruas centrais, com os jovens a trajarem com rigor e a mostrar as fitas dos seus cursos. Tudo alinhado com primor para mais tarde recordar.
Na Sé do Funchal, a cerimónia religiosa consagra o momento, com palavras do sacerdote de apelo a uma vivência adulta, comprometida com os valores cristãos e na defesa dos projetos de vida dos jovens. Uma cerimónia abrilhantada pelo Coro da Escola, que tornou o ato mais emotivo e solene.
É de recordar que, a Bênção das Capas é uma tradição que, deve dizer-se, só é vivida no arquipélago da Madeira. Recorde-se que, a Escola Secundária Jaime Moniz foi pioneira nesta tradição da Bênção das Capas, sendo o exemplo seguido depois pelos demais estabelecimentos escolares do ensino secundário. Mediante Despacho de 09/12/1889, o Ministério do Reino, através da Direção Geral da Instrução Pública, instituiu o uso facultativo da capa e batina aos estudantes do “Liceu”. Desde então, anualmente, a Bênção das Capas reveste-se de profundo significado para a instituição, finalistas e famílias. Diga-se ainda que, é uma tradição tipicamente madeirense, que não se verifica no espaço continental.








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