Desleixo na fachada da sede do Banco Santander

Rui Marote
A manhã chuvosa de sábado não impediu, a nossa “ronda à cidade”. Já chamámos a atenção para a falta de limpeza da fachada do prédio emblemático da sede do ex-“Banco da Madeira” no Largo do Chafariz.
Está bem patente a sujidade que reina nas janelas, cantarias e logotipos “BM ” que não limpos há muitos anos.
Vamos falar um pouco da história deste edifício que no século XVIII era a Casa Portuguesa. A  história administrativa do Banco da Madeira (resumida) é a seguinte: em 24 de Abril de 1920 constitui-se provisoriamente o Banco da Madeira com o capital de 2000 contos.
A primeira tranche do capital foi de 500 contos e realizou-se a 12 de Maio de 1920 a primeira subscrição. No mês de Agosto a instituição instalou a sua sede num edifício da Rua João Gago. O desenvolvimento da actividade e o apoio ao comércio e indústria madeirense impulsionou a sua expansão, tanto a nível nacional como internacional, tendo estabelecido uma importante rede de correspondentes internos em várias cidades do país (Porto ,Braga, Horta e Ponta Delgada) e ainda em Londres , Nova Iorque, Berlim, Praga, Paris, Milão, Amesterdão, Bruxelas e Madrid.
Em 21 de Dezembro o Banco mudou a sua sede para instalações mais condignas.
Adquire prédios onde detinha a sede no Funchal e a filial em Lisboa, assim como outros, na praça madeirense.
A 12 de Setembro de 1933, cria o novo o novo Banco da Madeira, sob fusão de três entidades: o primitivo Banco da Madeira, o Banco Sardinha e a casa bancária Rodrigues e Irmão & Companhia.
Em 1945 ,o banco encontrava-se consolidado e era já um importante estabelecimento de crédito regional que prestava um precioso auxílio a todos os sectores da vida económica madeirense. Em Janeiro de 1966 realiza-se uma operação de fusão com o Banco Lisboa & Açores .
Em 2004 o Grupo Santander realizou a compra do Banco Totta & Açores e passou a adoptar o nome Banco Santander Totta. Em 2018 decidiu abandonar a marca Totta  para se chamar Santander. Hoje não temos nenhum banco madeirense depois da venda do BANIF ao Santander. Aqui ficam uns dados da nossa história.
Manteve-se o Banco da Madeira na fachada (sigla que ainda hoje perpetua no edifício bancário em cantaria) e que não foi destruída, sendo um marco da nossa história.
Voltando ao titulo deste artigo, o banco tinha nos seus quadros nos anos 80 quatro funcionários de limpeza, 3 homens e uma mulher. Hoje no quadro da entidade bancaria espanhola não existe funcionários de limpeza. O banco adjudicou esses serviços a uma empresa do ramo. Acontece que o banco parece que lava o “corpo” e esquece de lavar a “cara”. As fotos são elucidativas da situação de um edifício de arquitectura característica do Estado Novo inaugurado a 16 de Agosto de 1947.
Quando o desleixo chega ao ponto de exibir a própria bandeira da instituição bancária em farrapos, pouco mais há a dizer. O que interessa são os números. O edifício exibe ainda um edital de obras de alteração e conservação datado de 18 de Agosto de 2023…
Entretanto o banco tem alguns andares encerrados; ficamos sem saber se as obras estão concluídas ou qual o motivo das mesmas quando as idas pessoais às instituições bancarias são cada vez mais diminutas e tudo é tratado de forma virtual.

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