Viagens: “buskers” de Dublin animam e movimentam a cidade

Final de tarde chuvoso. na capital da Irlanda. A chuvinha miudinha, mais conhecida pelo “molha tolos” não é suficiente para fazer desmoralizar o viajante. As luzes de Natal na Grafton Street dão brilho À famosa artéria, que, pela sua concentração de lojas e circulação de pessoas, é um dos pontos mais populares para ouvir músicos  e artistas de rua.
Os músicos de rua, conhecidos como “buskers”, são artistas que cantam e tocam música ao vivo e marcam o quotidiano da capital da Irlanda.
Neste país não precisamos de andar com auscultadoresn para ouvir música. Ela está por todo o lado.
No entanto, há regras: os ” buskers” têm de ter uma licença para tocarem, com a validade de um ano e com o custo de 40 euros. Identificam-se por um crachá que mostra que eles tem a referida licença. Cada actuação dura um máximo de uma hora. Um músico não pode tocar a uma distância de 100 metros desse local até o dia seguinte.
Isso permite que os “Buskers” novos tenham oportunidade de se apresentar em público  na rua. O objectivo destas regras é assegurar que a actuação dos “buskers” seja organizada e não cause transtornos para o público ou para os comerciantes locais.
Mas, assim regulada, esta é uma tradição rica que faz parte da identidade cultural do país que enriquece atmosfera  cultural e turística de Dublin. O público apoia estes cantores e músicos de rua deixando gorjetas  ou fazendo doações voluntárias em reconhecimento ao entretenimento proporcionado.
Para o turista, estas actividades em nada o incomodam porque a sua estadia no local é breve. Mas é preciso levar em linha de conta que para os comerciantes e moradores os artistas de Dublin podem tornar-se um problema por causa do volume do som e do incómodo causado pelo facto de de tocarem repetidamente as mesmas três ou quatro canções.
A Câmara Municipal de Dublin então optou por proibir o uso de “backing tracks”, o que pode ser traduzido como “faixa de apoio”, música de fundo. O objectivo é diminuir o uso de amplificadores e limitar os “buskers” aos que de facto saibam executar várias canções sem grande ajuda da tecnologia.
Como sempre as minhas reportagens chamam a atenção e não me compete impor regras, mas podem fazer-se comparações com a Madeira e temos exemplos flagrantes: na Rua António José de Almeida estar numa esplanada à hora do almoço é difícil, pois o som das violas  torna-se insuportável  não sendo possível manter uma conversa sem falar alto.
Por outro lado há “buskers” e buskers”, e uns bem melhores que outros. Sem qualquer desmerecimento, descortinámos muito melhor que os antigos acordeonistas que tocavam no centro do Funchal, ou a concertina de uma jovem romena junto ao banco Santander no Largo do Chafariz…

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