Um cabo de aço entrelaçado (ou “torcido”) pode romper por várias causas, normalmente relacionadas com esforços excessivos, degradação ao longo do tempo ou falhas de fabrico. Eis os principais mecanismos:

AF!
Fadiga por Cíclica de Carga
Quando o cabo é submetido a variações constantes de tensão—como num funicular que sobe e desce dezenas de vezes por dia—aparecem microfissuras nos filamentos. Com o tempo, essas fissuras propagam-se até ocorrer a rotura de alguns fios, reduzindo progressivamente a secção resistente do cabo e, por fim, levando ao rompimento súbito.

Corrosão e Degradação Ambiental
O aço exposto a humidade, salinidade (no caso de ambientes costeiros, como Lisboa) ou produtos químicos desenvolvem ferrugem e pites (pequenas cavidades). Estes pontos de corrosão concentram esforços e criam zonas fracas, onde a área efetiva de carga diminui, facilitando a rotura mesmo abaixo da carga de rotura nominal.

Sobrecarga Instantânea
Se o cabo for sujeito a um esforço de tração que exceda o seu limite de resistência—por exemplo, devido a cargas superiores ao previsto ou a choque dinâmico (impacto, travagem brusca)—alguns fios atingem a tensão de rotura imediatamente. A carga é redistribuída pelos fios restantes, acelerando o processo de rutura em cascata.

Desgaste por Atrito e Fadiga por Flexão
Num funicular, o cabo passa sobre polias e roldanas, sofrendo flexão repetida. Cada contorno em polia causa compressão numa face do fio e tração na outra, gerando microfissuras internas. O atrito nas superfícies de apoio também pode desgastar o revestimento dos fios, expondo-os à corrosão.

Danos Mecânicos e Kinking
Dobras acentuadas (kinks), choques ou contactos com cantos vivos provocam fissuras localizadas. Esses danos concentram a tensão num único ponto, criando uma zona de fraqueza que se manifesta, frequentemente, como “esticões” ou “gaps” visíveis entre as tranças.
Falha de Fabrico ou Inspeções Inadequadas
Defeitos de fabrico—como áreas de metal frio (microsegregações), limalhas de ferro inclusas ou cordões de soldadura fracos—podem originar pontos de fragilidade. A ausência de inspeções regulares (ultrassons, medições de diâmetro, verificação de torção) impede a deteção precoce de desgaste excessivo.
Em síntese, o rebentamento de um cabo de aço entrelaçado resulta quase sempre da combinação de fadiga cíclica, corrosão e desgaste mecânico, agravada por sobrecargas pontuais e eventuais falhas de manutenção.
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