Dia mundial dos avós é todos os dias!

Dia mundial dos avós é todos os dias!

Devia de identificar e nomear todos os avós do Mundo. Na verdade são um luxo sem valor tabelado. Os netos têm nos avós um direito adquirido. Ou será um privilégio de gratuitidade de empatia e amor incondicional?! E é esta contradição que faz prender o olhar, cativar a audição e todos os outros sentidos nos demais momentos que construem a viagem alucinante da Vida e se fazem presente na memória do arquivo pessoal sem aplicar filtros nas imperfeições.

Ainda vivemos no luxo de ter a presença de humanos pertencentes a gerações que viveram grande parte da sua vida sem o excesso do mundo digital e sem o chinfrim de viver numa velocidade atroz que bloqueia a beleza da contemplação.

Por alguma razão houve a necessidade da contínua evolução tecnológica digital e dizem os sensatos, que é como quem diz os estudiosos, para nos lembrarmos que os limites saudáveis no uso dos telemóveis ao longo do desenvolvimento das crianças e jovens diminuirão em grande parte os altos índices de ansiedade, depressão e até mesmo o suicídio tão presentes na atual sociedade.

A certeza que temos: a tecnologia digital mudou o mundo e tem mudado o ser humano. Os estudos, os maiores psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde renomeados mundialmente continuam a alertar para os perigos da tecnologia digital. Pessoalmente acredito que há muitos bons motivos para refletirmos sobre esta caminhada inconstante entre a oscilação e a euforia, passando pela melancolia e coesão interna para a tomada de escolha e proporcionar às nossas crianças tudo o que precisam, nos diferentes tempos de vida. As crianças e jovens, silenciosamente e sem perceberem, estão a ser moldados ao invés de manifestarem a genuinidade, a paciência parece coisa de avós, a resiliência é desinstalada, o sofrimento é silenciado e o tempo de vida dura um scroll.

Precisamos todos do colo dos avós, na verdade. Uns só não sabem pedir, outros quando a vida dá oportunidade e escolhem, agarram com tudo porque talvez demoraram muito tempo a convencer se que não precisavam e agora chegaram ao reconhecimento honesto que os avós fazem falta e outros mesmo que queiram já só sentem a memória do colo. E não valerá a pena agarrar no telemóvel e ligar para o passado, não valerá a pena por um like numa foto e não valerá a pena ser assaltante do trauma emocional. Terá sim valido a pena, quando a história do filme da vida real contar a partilha de momentos, a vivacidade com esperança, a aprendizagem transmitida por quem detêm o grau de doutoramento na vida, os avós, e têm o maior orgulho em transmitir com o maior carinho e com todo o tempo do mundo a sua sabedoria à sua descendência, aos netos.

Sabemos que passa tudo muito rápido. Vamos querer sempre tudo, tudo menos o sofrimento. Alguns sabem que nos dias em que o sofrimento bater à porta é a vez de ir e mergulhar na realidade pura do conhecimento e da aprendizagem… a ternura inquestionável, o gesto lento, o vínculo que não se esquece… a memória a única lucidez verdadeira da vida real e não digital, o amor de avós.

Aos leitores… deixemo-nos de viver a contar o tempo e passemos a viver o tempo que temos de vida.

Dr.ª Luísa Maria

Terapeuta da Fala

Especialista em Miofuncional Orofacial


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