“Solar dos Freitas” a desabar na Madalena do Mar

Rui Marote
Há oito anos, 26 de Junho de 2017, o Funchal Notícias levantava este mesmo problema pela mão da nossa colega Rosário Martins: “Solar dos Freitas na Madalena do Mar caminha a passos largos para a degradação”.
Este fim-de-semana estivemos no local e constatámos que a expressão “orelhas moucas” se fez sentir ali durante oito anos. Continuam a não ouvir o alerta nem sabem o significado de degradação. Mostram comportamento de ignorância a algo que foi escrito e atempadamente mencionado.
Temos dificuldade em encontrar um sinónimo para descrever o que os  nossos olhos captaram, mas optamos por “destruição.” A única coisa que mudou foi a colocação de um cartaz numa varanda por cima da porta principal, cartaz esse já queimado pelo sol anunciando uma suposta “Casa do Rei”, e garantindo que “nesta casa viveu incógnito o Rei Ladislau III desaparecido em Varna e conhecido na Madeira como Henrique Alemão”.
Mas as reivindicações não se ficam por aqui, pois afirma-se também neste local ter nascido “o Grande Descobridor da América, Cristovão Colon (Colombo), circa 1455, baptizado Segismundo Henriques”. Isto escrito em três línguas: Inglês, Português e Polaco. Não é pouco a reclamar para uma única casa, mas nem por isso serviu para ajudar a conservá-la.
A Madalena do Mar é muito procurada por madeirenses e turistas e anunciada nos panfletos das agências de viagens e “tour operators”. As pessoas chegam ao local e deparam-se com uma casa em ruínas, a sul, a norte e a oeste rodeada da cultura da banana.
Apesar de tudo é um edifício com história de outras épocas, um património para mostrar e promover para além do distinto clima e paisagem. Está classificada esta relíquia lendária pela sua alegada ligação ao Rei Ladislau. O imóvel supostamente pertence à Diocese do Funchal, que parece desconhecer aquele instrumento chamado PRR, Plano de Recuperação e Resiliência, aprovado pela UE, e que talvez pudesse ser utilizado.
Notícia do mesmo não terá chegado à Diocese porque parece “dormir à sombra do bananal”  neste caso da Madalena do Mar, esperando que seja o Governo a fazer tudo e dar o dinheiro para a recuperação. É assim que na Madeira se trata a história e o património edificado, neste caso esta antiga casa dos morgados da Madalena do Mar.

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