Rui Marote
Viajei para a Coreia do Sul com a lição bem estudada, desde o Funchal. Na minha bagagem, o voucher para visitar a zona desmilitarizada entre as duas Coreias, a do Norte e a do Sul, os túneis construídos pelos norte-coreanos e as pontes suspensas.
Bem cedo, por volta das 06h40, deixei Seoul com o objectivo de visitar o lado sul-coreano da fronteira entre os dois países, onde há uma linha de quatro quilómetros de largura e cerca de 259 quilómetros de extensão.
A mesma mantém-se entre as Coreias, servindo como fronteira. Foi demarcada em 1953 para sinalizar a trégua na Guerra da Coreia. Até hoje, os dois países continuam oficialmente em guerra, uma vez que nunca assinaram um tratado de Paz. A Coreia do Norte mantém-se livre somente para os pássaros, ouvindo-se também sons de propaganda de Kim Jong-Un contra a Coreia do Sul.



O ambiente ali é algo tenso, Nos anos 70, encontraram-se três túneis aparentemente usados para fins de espionagem e, vinte anos mais tarde, encontrou-se outro, o terceiro túnel.

A área mantém-se está iluminada e vigiada, a não ser na zona ferroviária de Kaesong e Kosong, ambas situadas na Coreia do Norte. Panmunjon foi o local onde se estabeleceu o armistício da guerra da Coreia.
No lado Sul há uma base militar administrada pela ONU com militares de alguns países, incluindo os EUA, além dos sul coreanos. Visitei a sala onde ocorrem as conferências entre as duas coreias, alguns museus e memoriais, tudo num clima semi-tenso.


Visitámos ainda o terceiro túnel de infiltração, construído para ser utilizado numa provável invasão à Coreia do Sul pela Coreia do Norte. O mesmo foi descoberto em 1990.
De seguida estive na estação de comboio na zona desmilitarizada. Por último, passei nas pontes suspensas de Majang e Gamsksan, utilizadas durante a guerra, visitando o observatório de Dorasan, vila da Unificação. Regressei a Seoul ao final da tarde com o “dever cumprido” e uma enorme satisfação.
Aos leitores do FN fiz o possível e o impossível para captar o máximo de imagens, embora por todos os locais os dísticos de proibição de captação das mesmas estivessem assinalados. Não foi possível captar imagens do terceiro túnel: detectores de metais e cacifos aguardavam os visitantes.
Nem pude levar o meu boné, uma vez que recebemos um capacete de protecção devido aos tectos baixos. Os turistas, com a distração do “artista”, volta e meia batem com a cabeça. E fiz a prova: graças por esta protecção, pois o capacete enfrentou a rocha dura por duas vezes…
Isto não é novidade para os madeirenses, com as suas passagens por túneis nas veredas e levadas. No meu caso, quando efectuei reportagens nos túneis de captação de água tive de esquivar-me muitas vezes aos “galos” na cabeça. Mas foi duro, nesta visita à Coreia: a caminhada são 350 metros a descer e 350 a subir. Uma via sacra com bancos ao longo do percurso. Na minha excursão, era o “Janglo”, ancião ou como queiram chamar. Durante o percurso pela ponte suspensa pensei mais de uma vez: “Safa, Marote, para o ano ficas no sofá”…
Fiz um pequeno vídeo da Coreia do Norte do observatório, embora distante. As duas bandeiras das Coreias divididas esvoaçam, uma do lado de cá e a outra no lado de lá. Veja o vídeo aqui:
A reportagem ficaria completa mas faltou uma foto: os dois edifícios das duas fronteiras. Mas nessa altura tudo foi rápido. Não saímos do autocarro, que limitou-se a sair de uma faixa e entrar na outra e o guia quando falou sobre o assunto, já estávamos de costas…
Uma outra curiosidade é o relógio: as horas eram diferentes. A Coreia do Norte, durante anos, marcou nos relógios meia hora a menos que a hora da Coreia do Sul… agora já não.
Por último, falemos da bela bandeira da Coreia do Sul: foi oficialmente declarada em 15 de Outubro de 1949. A sua versão actual foi adoptada em 30 de Maio de 2011. A bandeira tem um fundo branco, um círculo central de yin e yang (azul e vermelho) e quatro trigramas (pretos) nos cantos. O fundo branco representa a pureza. O circulo central (yin e yang) simboliza o equilibro entre o yin (azul) negatividade e o yang (vermelho) positividade, as forças opostas do universo.
Os trigramas representam os quatro elementos (céu, terra, fogo, água). A bandeira também é conhecida como Taeguk-gi.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


































