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Longe vão os dias de charters manhosas com aviões em péssimas condições, registados em simultâneo em dois países diferentes de pouco prestígio aeronáutico, com tripulações ilegais, a tentar encobrir emergências em capitais europeias.
As nações europeias partilham traços comuns de procedimentos e no que se refere à segurança aeronáutica. Há escrutínio da constituição e funcionamento de órgãos nacionais com a missão da regulação das atividades da aviação civil e da sua performance em termos de segurança. Inspeções sem aviso prévio em aeroportos europeus a aeronaves de países são frequentes e falhas grosseiras (pilotos sem qualificação, por exemplo) dão azo a proibições de voo para a Europa impostas a companhias aéreas e mesmo de toda uma nação. Os visados justificam-se tipicamente com interesses económicos retaliatórios por não terem comprado recentemente aeronaves à Airbus.
Existem bandeiras convenientes no setor do transporte aeronáutico europeu. É frequente vermos companhias alemães a visitarem o nosso solo com matrículas nacionais (formato D-AAAA) mas também por vezes ES-AAA ou LY-AAA, ostentando a pintura integral da transportadora que vendeu os bilhetes, ou parcial, como fuselagem branca com cauda personalizada (croata Fly Air41 Airways). Acontece também aeronaves totalmente brancas (algumas da lituana Avion Express), sem qualquer alusão a nenhuma marca, ou aeronaves que foram de outras companhias a que simplesmente censuraram o nome sem gastar muita tinta.
Com ironia a lituana GetJet incorporou um Boeing que foi da TUI, apagou o nome da fuselagem, metade do logotipo da cauda, uma pincelada nos winglets, e registou-o como LY-TUI assinalando o novo registo com um autocolante branco (perfeitamente legal), como se pode ver na seguinte foto.

A aviação pode ser divertida.
Mais transparente são aeronaves dignamente vestidas com marca conhecida (AirBaltic). As aeronaves com matrícula ES-AAA estão registadas na Estónia, país da zona do Báltico fértil em registos de aeronaves. As LY-AAA são da vizinha lituana, e as YL-AAA da Letónia. Pontificam nesse eixo litoral da ex-URSS as Avion Express, Smartlynx, GetJet, Heston e KlasJet. O motivo é essencialmente capitalista, aproveitando benefícios de índole fiscal tanto nos impostos locais a empresas, como no aspeto laboral.
São companhias locais ágeis e flexíveis que operam em prol de outras a preços muito competitivos. Estas operam tanto para companhias prestigiadas europeias como também na Nigéria e Camboja, sem que possa apontar-lhes alguma critica de segurança. A letã AirBaltic opera muitos voos com a sua marca a partir de Riga e goza de bom prestígio.
Ao Báltico junta-se Malta, onde companhias como Wizzair, Ryanair (incluindo a Lauda) e Hifly têm subsidiárias, que operam indiferenciadamente voos com origem e destino noutros países. Identificam-se facilmente pelas matrículas 9H-AAA.

Ao contrário das airlines do Báltico, são companhias geridas por corporações sitas em outros países (Irlanda, Hungria, Portugal) e que registam aeronaves em Malta apenas por motivos fiscais.

Após o Brexit a britânica Easyjet criou a Eaysjet Europe na Áustria (matrículas OE-AAA), que opera todos os voos que não tenham como origem o Reino Unido ou a Suíça.
Por isso considero o Báltico e Malta como zonas de bandeiras convenientes para a aeronáutica e não de “conveniência”, sem par com a conotação negativa do sector marítimo.
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