
Gil Canha, antigo militante contra Jardim, ex-vereador da CMF quando Paulo Cafôfo era edil funchalense, histórico do antigo PND e apoiante, nestas últimas eleições regionais, de Raquel Coelho, do PTP, na coligação Força Madeira, publicou uma ácida análise do desaire socialista neste acto eleitoral, na sua página pessoal da rede social Facebook. A prosa irónica traça os contornos do desastre que remeteu o PS para a terceira força política regional, depois do JPP. Com a devida vénia:
“Nestas últimas eleições, o barco do PS regional sofreu um grande e irreparável rombo, ao embater finalmente nuns traiçoeiros baixios laranjas. E o mais hilariante, é que o comandante em vez de tentar socorrer a aflita tripulação e abandonar rapidamente o navio, foi para o convés, aparelhar os mais luxosos salva-vidas, escolher a dedo os seus mais próximos oficiais, no intuito de rumar confortavelmente em direção ao cais de abrigo do Parlamento nacional e, se ainda restarem alguns mantimentos, tentar chegar às famosas ilhas autárquicas.
Na colisão frontal com os malditos rochedos alaranjados, parte da tripulação ficou presa no interior do navio, e só se ouvem os seus gritos lancinantes e desesperados. O chefe-de-máquinas e antigo professor dos Barreiros, reza a Deus pelos seus pecados, o contramestre machiqueiro, que por azar viajava na Primeira Classe juntamente com a sua colega da Ponta do Sol, foi tentar buscar a sua mala ao porão e ficou lá preso. O primeiro-tenente Jacinto, embarcado há muito anos no navio, estava na casa-do-leme a comer calmamente um pão com chouriço, e lá ficou serenamente, como Guggenheim, no naufrágio do Titanic.
E enquanto na maioria dos naufrágios, a rataria é sempre a primeira a abandonar a nave, nesta tragédia, a ratazana mais gorda e mais matreira, conhecida por Vietcongue, embarcada há mais de 20 anos no navio rosa, e que estava comodamente instalada no cavername interior do casco, e muito confiante na navegação do seu amado comandante, foi apanhada de surpresa pela entrada súbita da água, e lá se acabou o maior mito da navegação mundial, – que os ratos são os primeiros a sair de um navio a naufragar!
Para quem não sabe, no passado, este navio rosa navegou num rio traiçoeiro no interior da costa de África, comandado por capitães mandriões, muito ciosos dos seus pergaminhos, mas muito eficientes nos seus negócios com o chefe da tribo dos mamadeiras. Depois, a tal ratazana vietcongue começou a conspirar, organizou um pequeno motim a bordo, e meteu nos comandos do navio, um novo comandante com um bom ar e dentadura brilhante, coadjuvado por um Imediato todo arrogante, vindo duma sucataria da Figueira da Foz. Os dois recrutaram mais tripulantes sobre a promessa que iriam acabar com o poder do Chefe da Tribo dos mamadeiras e seus ricos régulos, e que o barco deixaria a navegação fluvial e entraria em mar aberto, rumo aos grandes portos do mundo.
Efetivamente, o barco navegou maneirinho, e conquistou o primeiro porto autárquico, depois, o comandante mais o imediato julgaram que já eram bons em navegação, e deitaram ao mar sem misericórdia parte da tripulação e alguns convidados. Seguidamente, pegaram em milhares de euros, e deram à imprensa para dizer bem deles, e que eram os maiores navegantes do planeta a seguir a Fernão Magalhães. Então, o navio rosa engalanou-se com todas as bandeiras, e todo cheio de presunção e vaidade rumou ao segundo porto. Mas, na entrada da barra, o comandante de dentadura feliz mais o seu inteligente Imediato não olharam para os instrumentos de bordo, e o barco raspou o casco no fundo, adornou um pouco, houve alguma aflição a bordo, mas lá conseguiu atracar. Graças à imensa publicidade da imprensa sobre os grandes dotes destes ilustre herdeiros de Ulisses, um importante armador rosa contratou o Comandante de dentadura sorridente para navegar por todos os portos onde houvesse comunidades de lusitanos. Aí o barco começou a meter alguma água, mas como a ratazana vietcongue e o Imediato de nome espanholado estavam bem instalados nos seus camarotes, não se aperceberam que o navio estava com problemas, a começar a ganhar ferrugem, com o casco todo amassado, e com a máquina a fazer imenso fumo. E para piorar a situação, o Comandante deixou de ir aos portos lusitanos, e passou os dias em Cruzeiros em Itália, na companhia do guarda marinha Caldeira e sua ilustre prol, enquanto fazia negócios e almoçaradas com o maior monopolista do porto da Mamadeira.
E desta maneira o barco rosa foi-se degradando, e como a navegação passou a ser feita à vista de costa, por duas vezes o navio embateu violentamente em recifes laranjas, danificando gravemente o casco. Mas nem o vaidoso Comandante, nem o seu emproado Imediato, nem a confiante tripulação se deram ao trabalho de ver os danos nem os prejuízos desta anunciada história trágico-marítima, até que tudo culminou com o terrível naufrágio do barco rosa no passado Domingo, Ano da Graça de 2025″.
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