O Juntos Pelo Povo considera “vergonhoso” o valor que o Governo Regional de Miguel Albuquerque paga pelas diárias nas casas de saúde da Região. O valor actual da diária na Madeira é de 58 euros, contra os 72 euros pagos pelo Governo da República, estando a decorrer negociações para subir esse valor para os 75 euros, refere o partido.
“Esta situação é uma vergonha, tem criado enormes dificuldades às direcções das casas de saúde e não acautela os cuidados de saúde que as pessoas precisam, prejudicando os doentes e as famílias”, denunciou esta segunda-feira Lina Pereira, presidente do JPP e candidata à Assembleia Legislativa Regional (ALRAM) no terceiro lugar da lista.
A dirigente realizou na manhã desta segunda-feira uma acção de campanha eleitoral para as eleições regionais de 23 de Março junto às instalações da Casa de Saúde Câmara Pestana, no Funchal.
Para além do valor baixo da diária, os directores das casas de saúde queixaram-se em Dezembro de atrasos do Governo Regional no pagamento das verbas, na ordem dos 3,5 milhões de euros. Lina Pereira lembra que, na reacção, Miguel Albuquerque revelou “falta de respeito pelos doentes e pelas dificuldades das instituições ao afirmar que ‘não há nenhum drama’”.
“É uma declaração inconcebível”, declara, sublinhando que “a saúde mental tem sido o parente pobre dos investimentos feitos pelo Governo Regional no sector da saúde na Região”.
“Várias vozes têm-se levantado, desde profissionais de saúde, familiares, associações a dizer exatamente o que nós já temos vindo a denunciar há vários anos: o Governo de Miguel Albuquerque prioriza quem tem o cartão laranja e quem tem o número pessoal de Pedro Ramos, mas para outros utentes, principalmente quem passa por uma doença silenciosa como é a doença mental, pouco ou nada tem sido feito”, lamenta Lina Pereira.
A não actualização do valor das diárias é o maior problema que as casas de saúde da Região enfrentam: “A prova mais clara do desinvestimento na saúde mental são os valores vergonhosos que são pagos às casas de Saúde, as únicas que acolhem em internamento os doentes de saúde mental, porque esta área não existe no serviço público, acompanham e tratam os doentes, e nem assim recebem um valor justo pelo grande serviço social e humanista que prestam”, refere.
“Estamos hoje aqui com um objectivo claro e um compromisso muito sério”, explicou a candidata e dirigente: “Se a população nos der responsabilidades para governar, a saúde mental será tratada com dignidade e situações como as aqui descritas são para rever com urgência, é uma das prioridades do JPP no setor da Saúde. É imperioso subir o valor da diária que está a ser paga a 58 euros, e aproximar dos 72 euros que são pagos no continente.”
Uma situação que também terá de ser corrigida é a comparticipação que é dada por igual para todos os doentes. Tem de ser diferenciada e em consonância com a situação de cada doente, porque patologias mais complexas precisam de mais recursos.
Há ainda outra questão para rever. “Os doentes mentais têm de ser tratados da mesma forma como qualquer outro doente crónico”, faz notar Lina Pereira.
“Se estão internados, não devem ser obrigados a pagar pelos dias de internamento e pela sua medicação, tal como se verifica com os outros doentes que estão em internamento no Hospital. Infelizmente, esta diferenciação negativa para o doente mental já fez com que alguns dos utentes desistissem do internamento porque não têm como pagar o seu tratamento. Isto não é governar em prol da saúde das pessoas.”
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