JPP diz que afirmações da GESBA são “poeira para os olhos”

O secretário-geral do Juntos Pelo Povo (JPP) garantiu esta terça-feira que as contas apresentadas pela GESBA sobre o valor que diz pagar aos produtores pela banana “é poeira para os olhos”.

A empresa pública que gere o sector da banana em regime de monopólio (GESBA), construiu “uma contabilidade conveniente, à medida dos seus interesses e atentatórias da dignidade dos produtores, pois afirma que paga agora mais pela banana do que era pago no passado, o que constitui uma absoluta mentira”, afirma o líder do JPP.

Élvio Sousa garante que a verdade dos números “é irrebatível” e “muito diferente da encomenda” que a GESBA publicou esta terça-feira.

Com o recurso a facturas comparativas de 2006, emitidas pela então Cooperativa Agrícola dos Produtores de Frutas da Madeira, e as lançadas pela GESBA já este ano, “fica demonstrado que os valores pagos presentemente aos bananicultores, nalguns casos, apresentam uma desvalorização a superar os 150%”.

De acordo com a documentação na posse do JPP, o valor pago aos bananicultores em 2006 foi de 0,60€ Kg para a banana de categoria “Extra”. Em 2025, a GESBA pagou pela mesma categoria de banana 0,64€ Kg. Considerando necessário corrigir o valor da inflação do período entre 2006-2024, conclui-se que a GESBA paga atualmente aos bananicultores um valor inferior ao que era pago pela Cooperativa em 2006.

Para apurar o valor que a GESBA deveria estar a pagar, é preciso recorrer ao Instituto Nacional de Estatística e ajustar a inflação a um preço de 0,60€ em 2006, o que resultaria, em 2025, em aproximadamente 0,82€. Este cálculo considera a inflação média anual em Portugal até 2024, com um factor de actualização de 1,36.

Tendo em conta os 0,64€ pagos no presente, significa que há uma desvalorização de 28% na banana de categoria “Extra”. Em resumo, os bananicultores estão a perder 0,18€ Kg.

Já na banana de Categoria I, os agricultores perdem 0,44€ e na Categoria II 0,26€, portanto, perdas de 168% e 173%, respectivamente, entre o efectivamente pago em 2025 e o valor de 2006, ajustado à inflação para os dias de hoje.

“Não é atirando poeira para os olhos que se ganha o respeito dos bananicultores”, refere Élvio Sousa.

“A GESBA tem um problema com a verdade e outro com a gestão danosa do sector. O produtor, no que respeita aos valores pagos pela GESBA e expurgados os apoios comunitários, está em prejuízo, o que explica a indignação que perpassa pelo sector, pois os bananicultores consideram a GESBA um sorvedouro dos rendimentos do trabalho deles na terra.”


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