Nova greve possível na Santa Casa da Misericórdia de Machico

As trabalhadoras da Santa Casa da Misericórdia de Machico estão indignadas. Não se verificam progressos no pagamento de retroactivos em falta  referentes a Julho de 2022 a Dezembro de 2023. Por outro lado, denunciam ainda algumas  tentativas intimidatórias de retiradas de direitos já atribuídos, como  o Dia de Aniversário.

Reunidas ontem em plenário, as trabalhadoras dizem-se não só indignadas, como revoltadas com a ausência de resposta por parte das várias entidades, entre as quais a Mesa Administrativa e a provedora recém-eleita e empossada na matéria do pagamento dos supracitados retroactivos. E a sua revolta é aumentada pelas notícias que dão conta dos apoios atribuídos à Santa Casa da Misericórdia de Machico pelo Governo Regional, nomeadamente um previsto reforço de três milhões de euros para os anos de 2025 a 2027, segundo as declarações da secretária regional da Inclusão, Trabalho e Juventude.

“Recordamos que este assunto já tinha sido abordado em reunião tripartida na Direcção Regional de Trabalho, como consta em acta datada de 8 de Maio de 2024”, referem. O sindicato CESP e as trabalhadoras apresentaram à Santa Casa a 10 de Setembro do ano passado uma proposta, que ficou sem resposta, no sentido de aumentar em quatro meses o prazo para a administração pagar os retroactivos das diuturnidades e dos salários referentes a Julho de 2022 a Dezembro de 2023. Ou seja: os montantes divididos em oito prestações mensais a pagar de Setembro de 2024 a Abril de 2025.

As trabalhadoras assumem que tem sido só pela sua unidade e luta que têm conquistado melhores condições de trabalho e o reconhecimento dos seus direitos no seio da Santa Casa. Foi através do recurso a três greves que foi alcançada a aplicação do CCT das IPSS, negociado entre a CNIS e a FEPCES a partir de Janeiro de 2024.

A Santa Casa da Misericórdia de Machico vinha aplicando há anos a estas trabalhadoras um contrato colectivo de trabalho “caduco e sem aplicação na Região Autónoma da Madeira, sem direito a diuturnidades, sem reconhecimento e valorização destas profissionais, que na sua maioria têm mais de 20 anos de casa”.

Citando a provedora Nélia Martins, as trabalhadoras dizem que “sem fundamentação jurídica” não são as suas legítimas reivindicações, mas sim a aplicação de um CCT ilegal por parte da instituição, como aliás é do conhecimento da mesma.

O CESP e as trabalhadoras nunca abandonaram esse compromisso de luta pelo CCT, e são um exemplo histórico na Região de denúncia pública sobre a realidade existente nas Santas Casas da RAM.

Assim, as trabalhadoras pretendem uma nova reunião mediada pela Direcção Regional de Trabalho (DRT) até o final de Janeiro, para o restabelecimento do diálogo interrompido e para renegociar um pagamento faseado dos retroactivos reclamados.

Mais querem marcar uma reunião com a secretária Regional da tutela, Ana Sousa para falar das suas reivindicações.

As trabalhadoras exigem o cumprimento integral do CCT, quer em matéria dos descansos compensatórios em dia de Feriado, quer na aplicação do mesmo em matérias de horários de trabalho/escalas de serviço.

Repudiam ainda as ameaças intimidatórias, proferidas através de mensagens escritas, de retirada da “Atribuição de Descanso em Dia de Aniversário” às trabalhadoras, direito exercido há vários anos e atribuído pelo anterior Provedor desta Santa Casa.

Pretendem ainda reafirmar a “urgência e necessidade que as entidades oficiais reconheçam e intervenham perante as inúmeras carências e dificuldades com pessoal, neste sector social, levando à exaustão, “burnout”, desgaste emocional e psicológico, acidentes de trabalho, bem como a desregulação dos horários de trabalho.

Será agendado novo plenário de trabalhadoras e estudada nova forma de luta, caso seja necessário. Não se descarta, nomeadamente, o recurso a nova greve.


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