Foi hoje ouvido na 3 ª Comissão Especializada Permanente de Ambiente, Clima e Recursos Naturais da Assembleia Legislativa da Madeira o presidente da direcção da Associação Agroecológica e Silvopastoril da RAM, José Manuel Gomes, na qualidade de “representante dos pastores das serras de Santo António”.
Na sequência da apresentação das suas opiniões e conteúdos, sobre a temática do pastoreio ligada a prevenção dos fogos florestais, este responsável deixou ao presidente da comissão parlamentar uma comunicação escrita que foi divulgada à comunicação social.
Na mesma, José Manuel Gomes considera o pastoreio como uma actividade ecologicamente sustentável.
“Na Madeira, com os devidos enquadramentos e circunstâncias técnicas silvo-pastoris, poderá ser motor para muitas actividades económicas sustentáveis.
Seja ela uma actividade regulada e devidamente enquadrada num formato técnico-legal”, garante.
“A definição de áreas de pastoreio é fundamental, seja para os efeitos de prevenção, seja para a eficiência e boa lide da actividade no seu sentido próprio e natural.
Para tal deveram ser desenvolvidos estudos de base científica, excluindo assim os dogmas anormais e irrealistas vigentes, os mesmos que anormalmente se criaram nesta região, há pelo menos duas décadas a esta parte, por uns senhores de nome Rocha da Silva e outro de nome, Raimundo Quintal. Assim sobre o futuro do pastoreio na nossa região, deve, este, ser analisado e verificado num formato científico e académico por entidades idóneas e acima de qualquer suspeita de credibilidade”, referem os representantes dos “pastores”.
“As consequências de não rever os conhecimentos clássicos e dogmáticos vigentes é dramático (sic) Pagou-se bem caro nos últimos fogos. Ficou patente a incompetência e os custos directos para as nossas populações e para a nossa geografia florestal, que seguir “profetas” sem competências objectivas e cientificamente sustentadas”.
“Toda a estrutura de conhecimento das entidades gestoras das nossas florestas baseiam o seu conhecimento técnico e silvicultor em simples interpretações emocionais. Não utilizar o pastoreio como mais um argumento válido para a prevenção dos fogos florestais é anormal, e tal só evidencia a pobreza técnica e política de um governo torpe e condicionado por interesses obscuros e inconfessáveis”, acusam.
“Em sítio algum da Europa, Portugal incluído, se gere o nossa riqueza florestal de uma forma desqualificada e básica de princípios e objectivos como aqui na Madeira e com a chancela deste parlamento, que obstinadamente teima em não permitir a modernidade e a ciência para a gestão da nossa rica e renomada floresta. A UE solicita aos seus estados-membros que integrem o pastoreio nas suas estratégias de gestão dos incêndios florestais. E aqui na Madeira? Não se aplica? Os governantes locais têm argumentos contrários! Então quais são? A UE está errada? É isso?”, questiona.
Os interessados no pastoreio na Madeira dizem que “a Europa considera o pastoreio como um método natural e sustentável para a prevenção de incêndios. Tal atividade é interpretada como garante da boa gestão da carga combustível e como método eficaz e válido. Considera igualmente que essa capacidade, o pastoreio, reduz os riscos de incêndio onde a dinâmica das alterações climáticas está a aumentar os riscos desses eventos”.
Mais dizem que a relação entre a supracitada associação de pastores e o IFCN é péssima.
“É de uma constante e obstinada perseguição policial aos pastores e as suas organizações associativas formais e informais. Esse instituto público não se relaciona com esta e outras organizações próximas, simplesmente persegue e tenta reprimir. Trazemos; esta constatação; à vossa superior atenção hoje. A oportunidade de a vós nos queixarmos é importante.
Somos interlocutores tão ou mais válidos do que aqueles que recebem subsídios anuais para a “manutenção” artificial de supostos rebanhos saudáveis, quando as evidências são contrárias e a vista de todos”, disse José Manuel Gomes.
“Apoios e incentivos estatais ou comunitários não temos acesso nem a os pedir. Quanto mais aos usufruir. O que aconteceu no último mês de Agosto em relação aos incêndios florestais não leva a nossa culpa. Temos toda a moral e toda a superioridade em denunciar e nos posicionarmos publicamente. A culpa não foi nossa”, conclui.
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