O secretário-geral do partido Juntos Pelo Povo acusou esta terça-feira o presidente do Governo Regional de ser “inconsequente” com a sua própria palavra ao assumir publicamente que não permitirá o escrutínio directo do Parlamento, no âmbito da audição parlamentar sobre os incêndios que durante 12 dias lavraram em vários concelhos e freguesias da Região.
Albuquerque confirmou hoje que não estará disponível para ser confrontado directamente pelos deputados, durante a audição requerida pelo JPP para ouvir o presidente do Governo.
Também o secretário regional da Saúde e Protecção Civil, fará o mesmo, utilizando o expediente previsto no Regimento da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) que lhe permite responder às questões por escrito.
Élvio Sousa diz que que já nada o surpreende em Miguel Albuquerque.
“Está com medo de ir à Assembleia, por que razão?”, interroga, e responde desde já: “Será por saber que cometeu erros graves, apesar de continuar a vender a ‘estratégia de sucesso’ enquanto dezenas de famílias, apavoradas e em sofrimento, passaram noites e dias sem dormir e ele refestelava-se no bem-bom, no areal do Porto Santo?”, diz provocador.
O líder parlamentar do JPP não resiste a classificar de “incomensurável falta de respeito” a decisão de Albuquerque para com os madeirenses e porto-santenses, e alerta para a necessidade de “o povo ir tomando nota dos comportamentos inconsequentes” do líder do executivo.
Élvio Sousa diz que “a memória é uma traição para Miguel Albuquerque”. Explica porquê: “Este Miguel Albuquerque será o mesmo que, em 2017, disse à jornalista Maria João Avilez que ‘os debates tinham algumas caraterísticas anglo-saxónicas, como eu gosto, democracia com dialética de frontalidade (…). Democracia é confronto (…), aprecio o confronto (…), deve esclarecer-se o cidadão’?”
“Onde está este Miguel Albuquerque?”, pergunta o dirigente do JPP, recordando que, em 2019, o líder do PSD e do Governo, na abertura da Sessão Legislativa, classificava o Parlamento como “o alicerce e a base da nossa representatividade política (…)”.
E sublinhava que o seu governo “valoriza e reconhece o papel fundamental deste Parlamento no debate democrático, bem como na discussão das questões essenciais que dizem respeito ao presente e ao futuro da Região”.
O JPP recuperou declarações de Albuquerque, do passado fim-de-semana, durante a visita à Festa do Bom Jesus da Ponta Delgada, onde afirmou que “se querem um líder do governo a deambular consoante aquilo que se diz na Internet ou os gostos momentâneos da opinião pública, nós ficamos sem rumo”, referiu Albuquerque.
Élvio Sousa aproveita a deixa para lançar uma questão: “Que rumo têm os madeirenses liderados por alguém que recusa ir à Assembleia debater o que correu mal com uma tragédia, a fugir com medo de enfrentar a realidade, que mente e se contradiz constantemente? É por isto que o JPP tem insistido em que Albuquerque não é uma pessoa de confiança, e os sinais desse comportamento são cada vez mais visíveis e preocupantes”, assevera.
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