Albuquerque vai responder por escrito ao parlamento sobre os incêndios

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, já tinha dito que não tinha “medo de ninguém”, muito menos de submeter-se ao escrutínio parlamentar sobre a gestão, muito criticada, do incêndio que lavrou recentemente nas serras da Madeira. Na altura, fê-lo até exaltando que muito tem comparecido no parlamento, estabelecendo uma clara distinção com o que acontecia nos governos jardinistas, em que o parlamento era apelidado literalmente pelo chefe do executivo como “uma casa de loucos”. Albuquerque sempre sublinhou ser um democrata, e não ter problemas com a prestação de declarações aos parlamentares, dado que a ALRAM é o primeiro órgão de governo próprio da Região. No entanto, hoje acrescentou novos dados à equação, dizendo que vai responder de forma formal, “por escrito”, o que de resto está previsto no regimento da Assembleia.

Promete que, se quiserem fazer um inquérito, o Governo Regional responderá da mesma forma que já respondeu a inquéritos anteriores. Mas, ao mesmo tempo, já foi dizendo que isto é para ser tratado seriamente, não sendo “um circo”, e acusando os partidos, em especial o PS, de querer fazer com os incêndios “chicana política”.

A posição já veio merecer críticas da oposição.

Por exemplo Nuno Morna, da Iniciativa Liberal, escreveu o seguinte nas redes sociais:

“A decisão de Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, de não comparecer ao Parlamento para depor presencialmente sobre as responsabilidades políticas no combate aos recentes incêndios na Madeira, é uma demonstração evidente de evasão e falta de compromisso com a transparência que se espera de um governante. Ao optar por responder por escrito, Albuquerque evita o confronto directo e foge ao dever de prestar contas de forma clara e inequívoca, preferindo esconder-se atrás de formalidades burocráticas”.
“Este comportamento revela uma preocupante incapacidade de enfrentar as consequências das suas acções num momento de crise. Em vez de assumir a responsabilidade de liderar com firmeza e responder pessoalmente às questões que afligem a população, Albuquerque escolhe o caminho mais fácil, deixando no ar uma sensação de que evita o escrutínio público. Ao rejeitar a presença física, escancara uma estratégia de fuga, demonstrando um desprezo pela transparência e pela responsabilidade que deveriam ser pilares de qualquer líder digno desse nome.
Miguel Albuquerque, com esta atitude, não só desonra o seu mandato, como também se revela como um líder fraco, incapaz de enfrentar as consequências das suas acções. A sua escolha é um acto de cobardia que envergonha a Madeira e deixa claro que não está, nem nunca esteve, preparado para enfrentar os desafios de uma crise desta magnitude. É uma falha moral e política de grandes proporções, e a história não esquecerá a sua tentativa patética de fugir das suas responsabilidades.
Em vez de dar a cara e enfrentar as críticas, Albuquerque parece mais preocupado em proteger-se de possíveis embaraços, o que só contribui para agravar a percepção de que a sua ausência se deve a um receio de ser confrontado com as falhas do seu governo. Esta escolha não é apenas um erro de julgamento; é um sinal alarmante de que o presidente não está disposto a enfrentar os desafios do seu cargo com a seriedade e a responsabilidade que a situação exige.
Durante os incêndios Albuquerque foi de férias e agora refugia-se nas quatro paredes do seu gabinete”, sentencia Morna.

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