Miradouro da Quinta das Cruzes, paisagem de Terceiro Mundo

Rui Marote
É lamentável o cenário que se obtém da urbe funchalense, hoje em dia,  a partir do Miradouro da Quinta das Cruzes, de grande valor histórico, natural e paisagístico. Era um ponto de passagem quase obrigatória no concelho do Funchal, para usufruir de um cenário majestoso com tranquilidade. Mas hoje a vista é outra e digna de Terceiro Mundo.
O miradouro, oficialmente inaugurado em 1936, constitui um dos mais antigos do concelho. Fica integrado na Quinta das Cruzes, espaço que, segundo reza a História, foi habitado por João Gonçalves Zarco, o navegador que descobriu a ilha e que, posteriormente, se tornou no primeiro capitão donatário do Funchal.
O Miradouro da Quinta das Cruzes encontra-se na freguesia de São Pedro, onde, no final do século XV, as classes mais abastadas começaram a construir as suas residências, na encosta da cidade.
Deste espaço, a uma altitude de 57 metros, os visitantes podiam aceder a uma vista privilegiada sobre a baixa funchalense, com o mar ao fundo.
Hoje o cenário é outro, terceiro mundo mais um barril de pólvora para potenciais incêndios, não muito distante da Rua Major Reis Gomes, cerca de 200 metros, na freguesia da Sé, que o Funchal Notícias intitulou em Outubro de 2016 “Um quarteirão que é uma potencial “bomba de neutrões”.
Em 25 de Julho  deste ano voltámos a alertar: “Trabalhar e viver a paredes meias com a degradação no centro”.
Quem está no miradouro, do lado esquerdo, parece a “faixa de Gaza” pavilhões cobertos de zinco outros em ruínas, fazendo fronteira com o Infantário D. Eugénia e Museu Municipal e a norte com o Convento de Santa Clara.
Toda esta área está ocupada como parque de estacionamento com entrada na Rua da Carreira. Uma paisagem que causa impacto negativo para os olhos e que defrauda os que vão ao miradouro.
São duas “bombas” de incêndios potenciais, separadas pela Rua da Carreira, passeio sul, freguesia da Sé e freguesia de São Pedro passeio a norte. Um autêntico par de jarras, para que nenhum se ria do outro. Mais uma adenda para a gaveta do Palácio dos Carvalhais.

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