Hoje, 15 de março de 2024, comemora-se o Dia Mundial do Sono. O sono é um dos pilares essenciais para o bem-estar físico e mental. Durante o sono, ocorrem processos fundamentais à nossa saúde, tais como a regulação da função do sistema imunitário (responsável por nos proteger das infeções), a consolidação da memória e o controlo metabólico e do apetite.
Atualmente, face às exigências da conciliação da vida familiar e laboral, parte substancial da sociedade sofre de privação crónica do sono, o que nos deve preocupar face aos riscos inerentes, nomeadamente, maior risco de eventos cardiovasculares como o enfarte agudo do miocárdio, maior risco de obesidade face ao aumento de apetite que condiciona e maior risco de acidentes, entre os quais de viação, resultante da sonolência.
São várias as perturbações do sono conhecidas. Hoje decidi destacar uma, com o intuito de sensibilizar a população em geral para o seu conhecimento e gestão, a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS).
A SAOS trata-se de uma doença em que de forma repetida ocorre obstrução da via aérea, ao nível da garganta, durante o sono o que conduz a despertares frequentes, fragmentando o sono e deteriorando a sua qualidade. Esta condição clínica merece especial atenção por todos, uma vez que afeta 5 a 10% da população mundial, contribui para o aparecimento de outras doenças e confere aumento da mortalidade. Atinge mais os indivíduos do sexo masculino, com mais de 50 anos e com excesso de peso ou obesidade.
Contudo, a SAOS na infância é uma realidade, com uma prevalência de 1 a 4%. É causada principalmente pela presença de adenoides e amígdalas grandes e o seu tratamento precoce está preconizado com o intuito de evitar o aparecimento de alterações no crescimento e na aprendizagem.
O diagnóstico e o tratamento precoce da SAOS permitem a redução das suas complicações e a melhoria da qualidade de vida destes doentes pelo controlo da sintomatologia.
O Médico de Família assume um papel preponderante na identificação e orientação dos casos suspeitos, detetados pela presença de sintomatologia noturna e diurna sugestiva, tais como ressonar, sono agitado, sensação de asfixia ou pausas respiratórias durante o sono, sonolência excessiva diurna, dor de cabeça matinal e/ou cansaço. O tabagismo e o uso de sedativos são fatores de risco para esta doença, os quais devem ser evitados.
O diagnóstico e a gravidade da SAOS são determinados por um estudo de sono. O seu tratamento envolve a aquisição de medidas adequadas de higiene do sono, tais como: 1) ter horário de dormir regular; 2) dormir em ambiente calmo, escuro e confortável com temperatura adequada; 3) evitar cafeína, nicotina e álcool 6 horas antes de dormir e 4) evitar o uso de telemóvel, computador ou tablet antes de dormir; a perda de peso, se houver excesso de peso ou obesidade e/ou o uso de dispositivos durante o sono que visam impedir a obstrução da via aérea e desta forma melhorar a quantidade e qualidade do sono.
O Médico de Família é determinante no seguimento dos doentes com SAOS pelo seu papel na educação e capacitação dos doentes e familiares, no reforço à adesão ao tratamento e no acompanhamento da doença e comorbilidades. Trata-se de uma doença com impacto na vida individual, conjugal e familiar.
Se os problemas de sono são persistentes e de difícil de resolução, procure o seu Médico de Família!
Nivalda Pereira
Médica de Família
Elemento do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
Pós-graduada em Cessação Tabágica pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia
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