Nessa colónia a vida corria tranquila. A metrópole não via isso com bons olhos.
O desplante destes inferiores seres coloniais que acham que se podem governar. Como se tivessem capacidade para tal.
Quem é que eles pensam que são?
O despautério destes liliputianos ilhéus de terem professores que dão aulas aos seus filhos, de não terem de esperar 48 horas numa urgência de hospital, de efetivamente terem um programa de habitação. De saberem executar as verbas do PRR. Executar mesmo. Não discutir planear ou debater ad aeternum.
Quem é que eles pensam que são?
A afronta de terem reeleito – mal, porque não sabem fazer nada bem – um presidente que, em tempos pandémicos, deu a cara. Decidiu sem medo, mesmo quando todos tínhamos medo. Que, numa altura de incertezas, se manteve firme. Que delineou uma estratégia de segurança que fez o pedregulho atlântico sair ainda melhor do outro lado. Mais conhecido e no bucket list de Instagram de jovens do outro lado do mundo. Daqueles que vão e gastam.
Quem é que eles pensam que são?
Uma rocha à beira-mar plantada que faz alarde dos números recorde, altos de PIB, baixos de desemprego. Que aposta na Cultura e nas novas tecnologias, que geram riqueza e são a porta de entrada para um mundo onde (finalmente) ser periferia é irrelevante. O descaramento de quererem estar na nova centralidade tecnológica. Pfffff….
Quem é que eles pensam que são?
Estes microscópicos seres, com o seu infinito complexo de inferioridade, acham-se perseguidos. Usaram e abusaram da narrativa orwelliana do inimigo externo. Um disparate.
Nós vamos mostrar-lhes como estão errados.
Vamos montar um circo na colónia.
Mandar agentes, inspetores e magistrados às centenas. Mas de forma discreta. Dois aviões militares, autocarros e dezenas de carros alugados.
Mandar a comunicação social de véspera. Porque o segredo de justiça está absolument démodé. E eles nem têm jornalistas a meio do Atlântico. Parece que há lá um estúdio que faz programas caseiros. Qualquer coisa Madeira.
Vamos criar estardalhaço. Vamos criar estardalhaço tão grande que ninguém se vai lembrar das falhas, dos buracos e das incompetências de processos passados. Que ninguém se vai lembrar dessa parolice da presunção de inocência.
Vamos depois juntar, com uns pós de perlimpimpim, um Chefe Maior que, no espaço de algumas horas consegue fazer cinco declarações sobre a situação. Sendo que, as duas primeiras, eram de que não ia fazer comentários sobre o que depois comentou. Mais três vezes.
Vamos mostrar-lhes. Quem é que eles pensam que são?
—————
Hoje acordei com esta história na cabeça. Mas depois achei que era tão orwelliana, tão kafkiana que já mais parecia uma novela de terror do Stephen King. E eu odeio Stephen King.
Para o que me haveria de dar… Uma história tão absurda e incrível, que ninguém sequer a leria.
Tenho de dormir mais e sonhar menos.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






