Continuo a minha jornada no Quirguistão. Carreguei “baterias” e estou pronto para uma segunda caminhada. Continuando a percorrer o Parque dos Carvalhos, eis que nos surge pela frente um monumento dedicado a uma mulher: Kurmandjan Datka.
Raro caso: em pleno mundo islâmico, era líder de uma tribo. Viveu nos anos de 1811 a 1907. Era muito respeitada e foi senhora de muitas terras, e notabilizou-se até como guerreira, libertando o Vale Fergana.
O monumento é recente, porém: só foi construído em 2004 e exalta a memória desta curiosa personagem.
Percorrendo praças gigantescas e avenidas amplas, a cidade vai-nos fascinando pouco a pouco, até acabando por surpreender.
Há aqui a Universidade Americana da Ásia Central, instalada num antigo prédio do governo, ao lado do Parlamento, desde 1997.
Este aparentemente improvável estabelecimento resulta de uma parceria com uma Universidade de Nova York. De excelente nível, ministra aulas em inglês e russo. Um privilégio para o Quirguistão. O comunismo já é passado. Além da Universidade Americana da Ásia Central, a melhor e mais cara do país, Bishkek conta com uma Universidade Internacional do Quirguistão. A educação é aqui levada a sério.
O antigo prédio do Parlamento, chama a atenção com as suas colunas brancas gigantescas. A Estátua de Lenin foi transferida já há alguns anos da Praça Central Ala Too para antiga Praça da Casa do Parlamento.
Lenine foi progressivamente perdendo prestígio. Não saiu de circulação, mas o seu antigo pedestal foi ocupado por Manas em 31 de Agosto de 2011, data da independência do país. Trata-se de um verdadeiro herói, símbolo da união nacional e da liberdade. As lendas que se contam acerca dele, referidas em três grandes
volumes de uma trilogia, tornaram-se numa febre nacional. Para os quirguizes, é a maior história épica do mundo. O país faz concursos para ver quem declama melhor os versos de Manas.
Na Praça da Filarmónica, há outra escultura de Manas, montado no seu cavalo Akkula, a lutar contra uma cobra gigantesca. A escultura apela à a celebração da união popular.
Actualmente, o Quirguistão é uma república democrática. Depois da independência da União Soviética, o país enfrentou duas revoluções, em 2002 e 2010, causadas pela insatisfação do povo para com os presidentes eleitos. Devido à revolta popular, os presidentes foram derrubados. Mas e, 2002 a Polícia abriu fogo e morreram 6 pessoas, ficando 50 feridos caídos no local da contestação.
Já em 2010 na Praça Ala Too, o caso foi mais grave: perderam a vida 86 pessoas, verificando-se ainda centenas de feridos.
Um monumento de sete metros de altura feito em dois blocos de mármore um branco e outro preto, procura uma espécie de esconjuro, para que o mal parta e dê lugar ao bem. Simboliza a vitória das forças positivas sobre as malignas. A saída do presidente corrupto e a entrada de um novo governante com a esperança de novos tempos.
A uma dezena de metros fica a Casa do Governo, uma espécie de “Casa Branca”. Do lado de fora é possível acompanhar a troca da guarda a cada duas horas.
Encerramos esta descrição com uma visita imperdível ao mercado Osh e ao monumento da Amizade, feito para comemorar os 100 anos do Quirguistão como parte da União Soviética. O monumento tem 28 metros de altura e duas grandes asas que sobem de um grupo de treze figuras, simbolizando a amizade entre soviéticos e quirguizes.
Os mercados são uma grande tradição no país, que está dividido em áreas que vendem alimentos, especiarias, roupas,materiais de construção, selas de montar.
Entre uma compra e outra os quirguizes fazem uma pausa para tomar bebidas fermentadas típicas do país feitas de de milho, trigo ou leite de égua.
Já que falamos em bebidas, a origem do nome da capital Bishkek em língua quirguiz, significa um recipiente usado para fazer kumis, a bebida nacional.
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