Rui Marote
Ontem, ao ler o artigo de opinião do nosso estimado colaborador Nelson Veríssimo, intitulado “O Caminho do Trapiche” e dando conta da intenção da autarquia de o mudar sem mais nem menos, não posso deixar de manifestar a minha opinião e utilizar a caixa do disco rígido para avivar a memória dos hipócritas.
A história, como sempre digo, não se apaga com uma borracha ou com um miolo de pão dos tempos da ardósia…
Como sou um homem de histórias, recordo em 1975 a entrada em Moçambique de Samora Machel de Cabo Delgado a Lourenço Marques.
Ao chegar a Porto Amélia, falando aos Macondes perguntou: “Quem é esta Amélia?” fez -se silêncio… “A partir de hoje chama-se Meponda”, disse.
Mais tarde, já em Lourenço Marques, na Praça Mahon, voltou a questionar, perguntando ao povo, quem era esse Lourenço Marques. E o povo mais uma vez sem resposta. Samora:- “A partir de hoje chama-se Maputo”.
Instalado no Palácio da Ponta Vermelha, mudou o nome das Avenidas. Recordo que a General Massano de Amorim passou a chamar-se Mao Tsé-Tung.
Estive na Câmara Municipal do Funchal vários anos como deputado municipal. Como ainda como não fiz “delete” na minha caixa craniana, lembro que a Câmara era dirigida por Miguel Albuquerque e tinha como vice presidente Pedro Calado.
Numa Assembleia Municipal, como líder de bancada, fiz uma proposta para darmos o nome de uma Rua ou Avenida ao cantor madeirense Max, já que no Funchal só dele existia um busto na Zona Velha da Cidade.
Na altura o Max tinha caído no esquecimento. Foi aprovado por unanimidade, mas o executivo colocou no fundo de uma gaveta. Porém, eu voltava sempre à carga em varias Assembleias, mas sem uma luz ao fundo do túnel.
Sugeri ao executivo que a rua de Max fosse na Rua do Surdo. Nos anos 80 mudou de nome para um dos fundadores do PS, o arquitecto Gil Martins, no local onde estava instalada a sede dos socialistas. Mais tarde, no mandato de João Dantas, a Rua voltou às origens; Rua do Surdo (que ninguém sabe quem era esse surdo).
Miguel Albuquerque disse que não mudava o nome de ruas (ver actas); com o mandato a terminar e perante a minha insistência, o elenco do município arranjou uma rua que não tem um número de porta e uma placa de paragem de autocarro, e atribuíu-lhe o nome do Max. Fica localizada acima do Tecnópolo, conduzindo às piscinas da Penteada.
Anos mais tarde fez-se uma homenagem a este grande divulgador da Madeira, com a publicação de livro recordando o artista madeirense e fazendo-se mesmo a promessa de um museu, que não se concretizou.
Será que o actual presidente não recorda estes episódios, ao querer agora mudar o nome de ruas, essas sim com história e significado? Mas enfim, cada cabeça sua sentença… Isto de facto “é um trapiche…”
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