Tim Jones, a experiência do professor para a vida, aposentado mas a trabalhar na escola com ordenado pago pelo Estado

Tim Jones, aposentado do ensino mas na escola e com ordenado. Foto FN

O marido de Connie Alves, Tim Jones, tem 66 anos e também dedicou a sua vida à docência na escola. Conheceu Connie quando participaram num workshop sobre como resolver conflitos sem violência. Desde então, a ligação para a vida como marido e mulher, a constituição de família e uma enriquecedora experiência a dois no ensino, quer na docência quer na direção de escolas.

Tim, oriundo de Inglaterra, de onde emigrou de barco com 5 anos de idade para Austrália, encontrou a sua vocação na difícil missão de ensinar nas escolas, em 1997, como professor de inglês e história, uma vez que a Austrália é um mundo de cruzamento de nacionalidades. Os desafios impostos para gerir os conflitos que se desencadeiam entre os nativos e outros alunos do Líbano, Iraque, Afeganistão, Irão, entre outros, têm sido intensos, em Western City, na Granville Boys High School, onde 98 por cento nem falava inglês. Tim Jones, com a paixão pela poesia e música, de guitarra sempre a tiracolo para abanar e encantar alunos e professores, e a paixão pela pedagogia, conseguiu ajudar alunos e professores ao longo de mais de trinta anos de profissão. Canta e toca com esmero e versatilidade. A poesia é outar dimensão do professor e é neste caldo de culturas que o ensino ganha outra vivacidade.

O que é curioso é que Tim já está aposentado mas o espírito de missão à educação justifica que continue a servir a sua escola, sendo até pago por isso. Logo, aufere da sua pensão de reforma  e foi convidado a continuar a trabalhar na escola, na qualidade de conselheiro da sua diretora. A experiência acumulada ao longo de décadas é uma mais-valia para a gestão dos conflitos entre os pares e os alunos. Na escola CHHS, a população estudantil tem muitos refugiados e sensibilidades e é preciso, através do diálogo e da escuta, sanar fragilidades e problemas. Aceitou o desafio porque se assume como professor para toda a vida e, quando se reformou, sentia muita falta da escola. É uma mais-valia para ambos os lados. Utiliza o seu conhecimento para educar e formar líderes de educação, numa parceria com a direção que tem dado muitos frutos.

Connie Alves apoia esta missão do marido de trabalhar na reforma.

Explica que a sua regra de ação numa escola é lembrar que a diretora eleita é quem tem a razão. Os diálogos e esclarecimentos são múltiplos e a diferentes patamares. Mas a chefe é que manda. Com este princípio, impõe-se a salutar convivência e o respeito. “Posso achar que tenho razão e ela está errada, mas tenho de dar um passo atrás para respeitar a hierarquia”, explica. Por isso, é um mediador de conflitos, um explicador dos pares, um auscultador de necessidades.

Quanto ao saber ensinar alunos, as regras de ouro ficaram, furto de décadas de trabalho no terreno com a multiculturalidade. O segredo para bem ensinar, segundo Tim Jones, obedece a quatro princípios: 1.º-o professor deve conhecer bem o assunto que está a tratar, dominar o tema. 2.º conhecer bem como os alunos aprendem; conhecer a sua comunidade de origem; 3.º ensinar o aluno de forma individualizada, indo ao encontro das suas necessidades; 4.º ser muito paciente e saber perdoar. Estas regras, plasmadas na prática docente, fazem milagres na visão de que o aluno não é apenas um número mas uma Pessoa com história e aspirações que é preciso conhecer e apoiar.

 

 


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