
O grupo disciplinar de Francês promove, na Escola Secundária Jaime Moniz, uma palestra sobre “A passagem do navio francês “Junon”, pelo Funchal, em 1878, no dia 2 de março, na sala de conferências Dr Jorge Moreira de Sousa, pelas 15h00. O orador convidado é Duarte Mendonça, antigo aluno da Escola Secundária Jaime Moniz, que possui os graus de Licenciatura e Mestrado, pela Universidade da Madeira. Investigador nato, publicou mais de uma dezena de livros, assim como inúmeros artigos dispersos por diversas obras, jornais e revistas regionais e internacionais. Como conferencista, já foi orador na Madeira, Açores, Lisboa, França e Estados Unidos da América.
A palestra é organizada pelo grupo de Francês da ESJM, segundo informa a respetiva delegada, Ana Maria Kauppila, com a colaboração de Catarina Correia (Docente de Português); Chloé Silva e Eduarda Silva (alunas do décimo ano) e Beatriz Quintal (aluna do 11º ano).
A mais recente edição da Revista “Islenha” (nº 71), inclui um artigo intitulado “A passagem pelo arquipélago da Madeira do navio francês Junon”, resultado de um trabalho de investigação do historiador Duarte Mendonça.
Na sinopse que precede o referido artigo, pode ler-se: “em meados de agosto de 1878”, o “Junon” aporta à ilha da Madeira, no quadro de “uma viagem em redor do globo”. Aos participantes, “seleto grupo de jovens europeus (franceses, ingleses, alemães, suíços e polacos), recém-formados” era apresentado um programa deveras atraente: “dar a conhecer o mundo e as diversas culturas”. Esta expedição, simultaneamente educativa e lúdica, resultou de uma iniciativa da “Société des Voyages d’Études”. O porto de embarque, Marselha, em França, marca o início do encontro entre esses jovens, oriundos de diversas famílias europeias, abastadas. A primeira paragem ocorreu em Gibraltar, porto de onde rumaram em direção ao Funchal, na Madeira. Já nesta cidade, uma determinada notícia, relativamente ao Porto Santo, provoca uma reviravolta nos planos que conduzirá o navio até essa ilha e que contribuirá para atribuir a esta viagem uma missão que não estava, de início, considerada.
A investigação de Duarte Mendonça traz a público uma organização que poderá ser considerada como um projeto “proto Erasmus” e ilustra o modo como a viagem era entendida, em pleno século XIX, no quadro do reforço e complemento de estudos de natureza cultural e científica.
Assim, o Grupo disciplinar de francês, na sua missão de divulgação da língua, cultura e literatura francesa, propôs ao investigador a partilha deste trabalho com a comunidade educativa, em geral e os alunos de língua francesa, em particular. Aprender uma língua estrangeira, neste caso o francês, é um modo de apreender o mundo, de o perceber e de aprofundar a expressão da sua diversidade, no quadro do diálogo permanente entre as distintas dimensões do conhecimento.
De acordo com o artigo citado, a viagem do navio francês “Junon” deu origem a uma profusão de escritos, de diversa natureza que a relataram e, por sua vez, contribuíram para divulgar o arquipélago da Madeira. A representação da alteridade, no quadro da expedição em causa e dos encontros pela mesma suscitados, no espaço e no tempo, constitui uma das mais aliciantes dimensões académicas da designada literatura de viagens. A perceção do Outro, da ilha imaginada à ilha real, constrói-se numa tela de intertextualidades e palimpsestos que tece o legado de memórias através do qual o qual nós, hoje, também viajamos “ao passado”.
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