Viagens: Tashkent, a porta de entrada do Uzbequistão

Finalmente estou em Tashkent, após uma infernal paragem prolongada de sete horas no aeroporto de Istambul. Assim o determinei, e ao fim de dois anos finalmente estou a realizar a viagem que idealizei, sempre por locais diferentes do comum. Tashkent é uma palavra curiosa. O som, no vocabulário português/madeirense, era uma insinuação de que alguém na via pública caminhava embriagado…

Em ar de provocação  exclamávamos em voz alta, “Estás quente”, hem? Mas aqui a sonoridade evoca coisas mais exóticas. Na disciplina de geografia nos bancos da escola fiquei a saber que era a capital de uma república (então) soviética na Ásia Central, a segunda do Uzbequistão, onde substituira Samarcanda… Se aqui há alguma conotação com o português, isso deve-se ao calor e não à bebida: estamos aí pelos 36 graus.

Com mais de 2.209 anos de história, Tashkent significa Cidade  de Pedra.

Ao chegar a porta de entrada “aeroporto” esperava muita burocracia  uma vez que eram poucos os visitantes  devido ao visto, que mais parece uma autêntica “carta de chamada”. Mas nos  últimos anos o governo aboliu o visto para cidadãos da União Europeia. Não preenchi qualquer documento nem me pediram atestados de vacinas nem fui fotografado. Uma única pergunta: quantos dias irei permanecer. Carimbo e toca a andar.

Fiz dezenas de viagens independentes e já dei duas voltas ao mundo. Há muito que o Uzbequistão estava no meu mapa, mas o visto de entrada era um impedimento. Felizmente que isso passou.
Estive já bem perto, quando visitei o Cazaquistão, que realizou a última Expo. Adiei esta viagem à Ásia Central por causa da pandemia, mas agora o medo da maldita doença não me vai impedir de a concretizar.

Viajei de Lisboa para Istambul, continuando na Turkish Airlines para Tashkent. Esta cidade surpreende: rica em história, conhecida pelas mesquitas, pelos mausoléus e outros locais ligados á Rota da Seda, antiga rota comercial entre a China  e o Mediterrâneo, é hoje em dia uma metrópole moderna.

Independente desde 31 de Agosto de 1991, com uma moeda chamada Som uzbeque, com uma lingua turcomana como idioma oficial, estamos no Uzbequistão… um país com cerca de 30 milhões de habitantes e a capital com quase 4,2 milhões de pessoas.
Tashkent é a maior cidade da Ásia central. Mostra-se muito bem organizada, limpa com espaços verdes. Cheguei a pensar que tinha chegado a um país europeu, tal a modernização que encontrei.

Não é uma surpresa, pois quando um terramoto arrasou Tashkent em 1966, destruindo 300 mil casas e matando 200 pessoas, houve necessidade de reconstruir a cidade e prepará-la  para o futuro.
Chegou a ser a quarta cidade da Rússia depois de Moscovo, São Petersburgo e Kiev. Exibe avenidas largas, arquitectura brutalista e moderna e variados espaços verdes, se bem que às vezes seja difícil encontrar uma sombra no calor brutal do dia.

Uma das cidades mais ricas da Ásia central, tem sítios incríveis para ver e é repleta de cultura, história e boa comida. Nada tenho de que me queixar. O metro de Tashkent é dos mais bonitos onde á estive.
Foi  o primeiro metro da Ásia central, um legado russo. Para quem gosta de passear pelos mercados, ver o seu colorido e pessoas, o bazar de Chorsu é o maior da capital onde os habitantes podem adquirir qualquer produto desde carne de cavalo a frutas, vegetais, mel, especiarias…

Um lugar obrigatório a ver até pela sua arquitectura abobadada. Nele encontramos uma grande agitaçao de comerciantes, um movimento incessante de compra e venda, com os vendedores apregoar com gestos da negociação para regatear e baixar o preço.

Sou um apaixonado pelos memoriais de guerra: na Praça da Independência, no centro da cidade, há um da Segunda Guerra Mundial, com referência aos uzbeques mortos durante os confrontos.
Numa galeria decorada em madeira trabalhada estão escritos os nomes de todos os soldados que perderam a vida para defender o território durante a guerra.

Esta praça é arborizada e repleta de fontes, monumentos e prédios administrativos do governo. Ali existe uma história para contar. Em 1865 ,quando país foi tomado pelo Império Russo, ali existia o Palácio Kokand Kan. Mas o mesmo foi demolido e no seu lugar construída uma residência para um general russo. Chamava-se, curiosamente, “Casa Branca”.

A Praça passou a designar-se “Praça Lenin” até 1991, quando o país se tornou independente. Entretanto, a estátua foi retirada de lá e um Monumento a Independência  foi erguido no seu lugar.

A grande praça Amir Temur
A moeda local, o Som uzbeque
No topo do monumento há um globo simbolizando os limites do território uzbeque. Abaixo pode ver-se uma mãe que segura o seu filho.