Estepilha: Obrigado à Administração dos Portos por esta oportunidade!

Rui Marote

A Presidente do Conselho de Administração da Administração de Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM) entendeu, legitimamente, responder a duas crónicas humorísticas do Estepilha, escritas, assinadas e publicadas pelo signatário, separadamente, na terça-feira e quarta-feira.

Duas notas prévias:

Já na Grécia Antiga, o grande filósofo Sócrates dizia que a ironia tem mais de malícia do que ignorância, havendo outros pensadores que a consideram uma atitude mental de raciocínio ágil.

Em “Insularidades Linguísticas”, de Naidea Nunes Nunes, da Universidade da Madeira, a expressão “brinquedo” surge referenciada com diferentes significados, de entre os quais se destacam dois: “impecável” e “bonito”, portanto, uma palavra poderá ter significado “emotivo”, “regional” ou “estilístico”.

O signatário crê que nos exemplos acima referidos “morrem” os argumentos de que “muitas vezes” as crónicas publicadas no Estepilha “tentam denegrir a imagem da APRAM”.

Os factos provam o contrário. Se contabilizássemos as “muitas vezes” em que as crónicas humorísticas do Estepilha fizeram referências justas, ainda que em estilo linguístico desprendido, à actuação da APRAM, teríamos de ocupar muito espaço para a todas elas fazer referência. Mas em nenhuma dessas vezes houve comunicados da APRAM, nem teria de haver porque o jornalismo não se faz na perspectiva dos encómios.

Se o jornalista visado no esclarecimento da APRAM quisesse tratar, ainda que em estilo irónico, de assuntos da APRAM que estão adormecidos, poderia, por exemplo, lembrar os seguintes:

– Onde estão as 10 dez bicicletas adquiridas que não circulam?

– A lancha eco mar, que funcionou meia dúzia de vezes, e que estava no Caniçal há mais de um ano avariada e com um rombo no casco, situação que o FN alertou e portos transportou-a para a rampa de São Lázaro, aumentando o cemitério de barcos ali estacionados e ali jaz há mais de oito meses.

– E os concursos “viciados” de admissão de pessoal, que estão reportados ao ministério público?

Deus concedeu-me a alegria de realizar uma das coisas de que mais gosto, que é viajar, e por isso conheço cerca de 100 portos, onde embarquei e desembarquei, desde a  Oceânia ao Mediterrâneo, África, Ásia, América do Norte, Alasca, Canais do Panamá e Suez  e América do Sul. Em 50 anos de jornalismo, não sou dono da verdade, mas não preciso de mentir para provar que sei.

Portanto, relativamente ao ponto 1 – “aquisição de uma moto” que não é um “brinquedo” – o tempo, como grande mestre, dirá se o articulista tem razão quanto ao número de vezes que será utilizada por ano e se, realmente, é dos investimentos mais prioritários para a “imagem” da APRAM e do principal porto de passageiros da Região.

Sobre a expressão “brinquedo”, remete-se para o trabalho “Insularidades Linguísticas”.

Em relação ao ponto 2, é um facto que a lancha de pilotos “Ilhéu do Lido” está varada há meses, em São Lázaro, está à vista de todos, não pode ser escondida, e, portanto, não se trata de opinião, humorística ou séria, é uma realidade indesmentível.

Quanto ao ponto 3, assino por baixo do pensamento de Sócrates. E sobre o ponto 4, agradeço de forma penhorada a disponibilidade manifestada pela APRAM para prestar esclarecimento ao FN.

PS:

Apenas uma nota de encerramento: há anos que assino crónicas humorísticas no Estepilha versando assuntos dos Portos. É a primeira vez que tenho a honra de “apanhar” com um comunicado. Não sei o que foi que mudou… mas eu sei que não vou mudar.

 

 


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