Quem foi Lourdes Castro?

Lourdes Castro, uma das pintoras mais internacionais madeirenses, deixou-nos no passado dia 8 de Janeiro, aqui no Funchal, e de quem a actual geração pouco conhece; a não ser os estudantes de Artes, creio eu, é uma desconhecida que no entanto levou o nome da nossa Ilha a muitos cantos do mundo através da sua pintura, serigrafias e escultura.

Nascida na cidade do Funchal em 9 de Dezembro de 1930, frequentou a Escola Alemã e, após os estudos liceais seguiu para a Escola de Belas Artes em Lisboa. Aqui no Funchal, foi Guia de Portugal, uma Associação paralela aos Escuteiros, dirigida pela Sr.ª D. Carolina da Rocha Machado, uma Senhora que deixou saudades a todas nós que com ela trabalhámos e onde fiz amizade com a Lourdes e a Inês Favila Vieira, entre outras. A partir daí a amizade prolongou-se até agora.

Em 1955 fez a 1ª Exposição individual, obras de Fauvismo, tendo casado, entretanto, com o também bem conhecido pintor René Bertholo (1935-2005). Em 1957, expôs na Galeria do D.N. em Lisboa. Segundo ela dizia, aproveitava todos os objectos, relevos, todas as tralhas que não serviam, velhas coisas usadas e sem graça, colava tudo o que era para deitar fora, criou colagens, serigrafias, em busca da realidade efémera. Ela e René foram para Munique e Paris, graças a uma bolsa da Fundação Gulbenkian, e os dois publicaram a Revista da Arte Experimental KWY (1958-1963) e formaram um grupo com artistas portugueses e estrangeiros, especializando-se em serigrafia.

Inspirada por Arpad Szenes (marido da pintora Vieira da Silva), concentrou-se na pintura abstracta. Porém, em 1961 seguiu o Novo Realismo, criando colagens com objectos reais. Em 1962 começou a trabalhar com sombras e silhuetas, muitas das vezes com retratos de amigos. Em 1964 ampliou e incluiu acrílicos nas serigrafias ou transparências. Em 1970, com Manuel Zimbro, criou sombras chinesas para o Teatro de Sombras na Europa e no Brasil. Em 1991, com Francisco Tropa, criou a instalação para participar na Bienal de S. Paulo.

Ao longo da sua vida foi distinguida com diversos e meritórios Prémios: em 1995, com a Medalha do Salon Montaigne, em Paris; em 2004, com o Grã Prémio de Arte da EDP, em que também colaborou Vieira da Silva; em 2010 recebeu os prémios de Associação Internacional de Críticos de Arte; em 2015 o Prémio A  Árvore da Vida – P. Manuel Antunes, que está na capela do  Rato, em Lisboa; em 2020 foi condecorada com a Medalha de Mérito Cultural, pela internacionalização da Arte Portuguesa; e recebeu a Medalha de Mérito Cultural. Ainda em 2020, Lourdes Castro foi enaltecida com uma grandiosa Exposição no Museu de Serralves (Porto). E em 2021 foi nomeada Comendadora da Ordem de Santiago de Espada. A obra de Lourdes Castro está espalhada por quase todo o Mundo, sendo as sombras uma das originalidades da sua pintura. Pode-se ver a sua obra em quase todos os Museus da Europa e América do Sul: Museu Victória e Albert -Londres; Museu de Arte Moderna – Havana; Museu de Arte Contemporânea -Belgrado; Museu Nacional de Varsóvia – Polónia; Museu Nacional de Bratislavia – Eslováquia; Museu de Arte Moderna – Lisboa; Museu de Serralves – Porto

Algumas reproduções dos seus trabalhos podem ver-se na Wikipédia e no pequeno livro “Lourdes Castro” – colecção VIDAS (DES)CONHECIDAS, publicado por Cadmus / AAUM.

No Funchal, sua terra natal, por ela tão amada, devia-se criar uma Galeria com o nome LOURDES CASTRO.


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