O país pintou-se quase todo com as cores do Partido Socialista nestas eleições legislativas. O chumbo das forças à esquerda do PS ao Orçamento de Estado saldou-se num “flop” estratégico que remeteu estas forças, a nível nacional e também na Madeira, para o fundo da escala de importância e favoreceu a ascensão da extrema direita representada pelo Chega (inclusive na Região Autónoma da Madeira).
Este fenómeno, aliás, é um dos mais assinaláveis. As modas costumam chegar a Portugal sempre tarde, e não deixou de ser assim com a ascensão das ideologias populistas de extrema direita, que alastraram por diversos países europeus e acabaram por se consolidar, contra as melhores expectativas, no Portugal de 2022. Bem entrados em pleno século XXI, há quem se identifique ainda com chavões propagados pelo regime de Salazar e repetidos pelo partido liderado por André Ventura, como “Deus, Pátria, Família e Trabalho”.
Quando a António Costa, experiente político, saiu reforçado e nem foi beliscado pelas inconsistências com que o seu governo geriu a pandemia da Covid-19, nem pela protecção ilimitada que proporcionou a intoleráveis excrescências no seu governo, como o ministro Eduardo Cabrita, ou pela gestão deficiente de uma miríade de assuntos que seria fastidioso mencionar. Só na Região Autónoma da Madeira não vingou por aí além o seu pretenso charme, mas garantiu três deputados na Assembleia da República, o mesmo número que o PSD, que ficou à frente, elegeu.
O PS contará com 112 deputados no parlamento nacional, contra 73 do PSD, 11 do Chega, e 6 da Iniciativa Liberal, que regista também uma subida digna de nota. O Bloco de Esquerda fica-se por quatro deputados. O PCP fica com 5, e o Livre consegue eleger um deputado. Era ainda indefinido, à hora da publicação deste texto, se o PAN conseguiria ou não eleger um parlamentar.
Na Madeira, insistimos mais uma vez, o Chega passa a ser a quarta mais importante estrutura política. E só aqui, coligado com o PSD, é que o CDS de alguma forma sobrevive, mas sem eleger nenhum dos seus deputados pelo círculo da RAM à Assembleia da República. A nível nacional, sofreu um apagão completo, com o seu líder, Francisco Rodrigues dos Santos, o popular “Chicão”, a anunciar a sua demissão perante o maior desaire de sempre da história do partido “dos patrões”, que apesar de tudo foi um dos fundadores da democracia em Portugal.
Na RAM, por outro lado, o discurso antiquado dos comunistas e a velha cassete não convenceu, e o Bloco pouca expressão também acabou por alcançar. Ambos foram ultrapassados pelo Chega, que fica atrás do JPP, que melhorou um pouco a sua prestação em relação à anteriormente obtida.
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