Falta transparência nos concursos dos Portos da Madeira

Rui Marote
Desde de finais de Agosto do ano findo que temos este assunto na nossa agenda. Porém, não somos os substitutos do Ministério Publico nem pertencemos a nenhuma comissão de inquérito.
Temos “apelidado” a APRAM de “madrinha dos pobres” há muitos anos… Desde a Junta Autónoma de Portos que era uma casa de emprego para os jogadores de futebol do União e Marítimo.
Desde de 1975 e ao serviço do Jornal da Madeira, que visitava a Pontinha, porto de carga e descarga de mercadorias e de navios de cruzeiros, duas vezes ao dia (consultar a rubrica “Ronda pela Cidade”).
Narravam-se histórias e historietas, desde a azáfama de trabalhadores braçais e estivadores, até o apetrechamento de máquinas e guindastes para o carregamento e descarregamento da nova era dos contentores.
Recordo a admissão de um futebolista manobrador de máquinas, excelente, que trabalhava há alguns anos.  Foi chamado aos serviços administrativos, que funcionavam ao lado das “Vespas”, para actualizar o seu processo.
Pediram-lhe uma fotocópia da carta de condução.  Atrapalhado, exclamou que não tinha, mas que falassem com o dirigente do seu clube… Acabou por efectuar exame numa unidade militar e obter essa cédula.
Decorridas dezenas de anos, os hábitos naquela casa não mudaram.
Nos últimos anos e muito recentemente, abriram dois concursos para agentes de exploração “nível 9”. Foi constituído um júri que teve como presidente o director de operações portuárias.
Neste concurso participaram concorrentes com formação de Escola Náutica, que pela segunda vez, se habilitavam a uma das vagas. Na anterior administração, já o tinham feito para uma vaga de marinheiro, sendo excluído. Outro caso gritante é um agente requisitado à marinha pelo director de operações portuárias com entrada para o” nível 12″ .
Segundo consta, já chegou uma queixa ao Ministério Público, da parte dos lesados.
A presidente da APRAM, Paula Cabaço, herdou da anterior administração uma série de problemas, numa altura que os Portos na área do Funchal fizeram um jejum devido à pandemia. Aproveitou esse período para arrumar a casa, efectuando obras no cais sul, como a recuperação da gare, substituição de todos os cabeços para uma maior tonelagem, recuperação das muralhas do ilhéu de Nossa Senhora da Conceição, nova gare no cais 6 ,reforço do enrocamento na Pontinha. Projectos para recuperação da velha marina etc…Tudo isto numa altura que os cofres estavam vazios e só a partir do ultimo mês de Outubro começaram a ver uma luz ao fundo do túnel.
A expressão de que Roma e Pavia não se fizeram num dia, aplica-se: no seu mandato já conheceu dois titulares desta pastam um vice-presidente e um secretário da Economia. Quem manda nos  Portos? Paula Cabaço, para o bem ou para o mal. Os subalternos não podem por em causa os deveres que lhes foram confiados. Alertámos que a privatização dos portos havia de ser um caminho a seguir do governo de Miguel Albuquerque… De certeza que esse percurso deve estar na agenda da Quinta Vigia.

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