O grande Herói português do século XX

Nunca é demais recordar e falar do cônsul Aristides de Sousa Mendes, considerado um dos grandes heróis do século passado. Nasceu em 1885, na localidade de Carregal do Sal,  e pertencia a uma família aristocrática de Cabanas de Viriato.

Viveu na Casa do Passal, formou-se em Coimbra e seguiu a carreira diplomática. Iniciou a sua profissão em Maio de 1912 e representou Portugal em diversos países e continentes, tais como os Estados Unidos da América, o Brasil, Espanha, África e, por fim, em França-Bordéus.

Tendo eu lido e consultado a família ainda existente em Cabanas de Viriato, soube que chegou a Bordéus em 1938, ainda no auge da 2ª Grande Guerra e em que o poder alemão e nazi estava a querer dominar toda a Europa, como no passado Napoleão tentou sem resultado, como todos sabemos; porém, nunca os franceses cometeram as atrocidades a que os nazis chegaram.

O Dr. Aristides de Sousa Mendes, entretanto, recebeu ordens de Salazar para não deixar passar estrangeiros, judeus principalmente, pois Hitler tinha como pensamento acabar com os que não faziam parte da “raça ariana”, pura para ele que, ainda por cima, era austríaco.

Mas a coragem e o amor por milhares de infelizes já chacinados e minorias (não apenas judeus) mortos nos campos de concentração, levaram-no a não cumprir as ordens de Salazar. O ditador ao ter disso conhecimento, como Ministro que era dos Negócios Estrangeiros, demitiu-o da carreira diplomática. Como era de prever, a partir daí a vida do cônsul e da sua numerosa família (com os cerca de 15 filhos, sem contar com a pequena criadagem que esteve sempre a seu lado), tornou-se muito difícil. Tal como o Dr. Aristides de Sousa Mendes e esposa, muitos dos descendentes faleceram na miséria, quase todos fora de Portugal.

Segundo a família legítima do cônsul, vim a ter mais pormenores por uma descendente directa, a prima Helena Telles Pereira de Sousa Mendes. Fiquei a saber, por exemplo, que também havia uma ligação muito próxima do Dr. Aristides com a sua esposa, D. Angelina, eram primos legítimos. Além da carreira diplomática, exerceu também advocacia em Cabanas de Viriato e Viseu. Por seu lado, a D. Angelina do Amaral e Abranches (viscondessa), durante os tempos da Grande Guerra pediu a uma outra prima – D. Maria do Patrocínio de Sousa Mendes que continuava a viver em Cabanas de Viriato, para tomar a orientação da sua casa do Passal e dos refugiados belgas que vieram para a terra do cônsul. Mais tarde, essa senhora recebeu uma carta de agradecimento de parte dos refugiados pelo apoio dado, nomeadamente a provisão de todas as necessidades, para que assim vivessem o seu dia-a-dia em Cabanas de Viriato.

Quando o casal morreu, por volta de 1954, não só pelos problemas de saúde, mas pela penúria em que se encontravam, um dos filhos do cônsul continuou a passar férias na Casa do Passal, apesar de ter sido vendida, e como prova de que continuaram a ajudar-se dentro do possível. Actualmente, estão vivos 84 familiares do cônsul e sua esposa.

Esquecido durante décadas, só depois da “Revolução dos Cravos” se reconheceu a existência deste grande Português e da sua atitude tão meritória para salvar vidas! Foi em 1974 que o Estado, na pessoa do 1º Ministro Dr. Mário Soares reconheceu o valor desse grande cônsul Dr. Aristides de Sousa Mendes; ao mesmo tempo que a Casa do Passal, quase destruída, começou a ser recuperada pela ajuda carinhosa da Dra. Maria de Jesus Barroso (esposa do Dr. Mário Soares).

Este ano, a Assembleia da República, em sessão plenária, reintegrou o cônsul no seu título e foi-lhe prestada homenagem e aos seus familiares vindos de várias partes do mundo. A cerimónia teve lugar em 19 de Outubro de 2021, no Panteão Nacional, com a inscrição de Yad Vashem de 1967 – “Justo entre as Nações”. Actualmente, em sua memória, existem ainda uma Fundação, dois Museus Virtuais, sendo um deles  em  Vilar Formoso, com o nome “Museu Fronteira da Paz.” Que o seu nome perpetue entre todos a alegria da Paz e Amor pelos outros.

Nesta oportunidade, desejo uma Festa com saúde e a alegria natalícia de estarmos juntos.