Calado quer trabalho e não mendicidade e subsidiodependência

A área social é, declaradamente, uma das prioridades para a gestão camarária de Pedro Calado ao longo dos próximos quatro anos no Funchal, mas fugindo a modelos assistencialistas e promotores de subsidiodependência, afirmou hoje o novo edil. A ideia é aplicar critérios nos apoios, “amparando os mais desprotegidos, as famílias carenciadas, e os que não têm trabalhou ou não podem trabalhar”. O reforço dos apoios sociais, da habitação, do investimento, do apoio ao comércio local, da criação de emprego, da baixa fiscalidade e do incentivo ao empreendedorismo foram medidas enunciadas por Pedro Calado, bem como da captação de novos residentes, inclusive para o centro da urbe, a par da mobilidade, do planeamento e ordenamento do trânsito, da segurança, dos programas de saúde e de educação, e do apoio ao desporto, à cultura e à juventude.

Calado não se esqueceu de nenhum ponto importante, mencionando mesmo a causa animal, o saneamento básico, a água potável, os transportes públicos, os espaços verdes, a limpeza… tudo isto são, para ele, objectivos a cumprir “totalmente, na íntegra”, na Câmara e nas Juntas de Freguesia.

“Sabemos que uma sociedade mais justa só se constrói com pleno emprego”, declarou. “Por isso mesmo”, avisou, “mais do que distribuir apoios sociais a quem não tem condições para trabalhar, temos de reforçar estes mesmos auxílios a quem enfrenta um dia de trabalho e continua a ter de sobreviver com poucos recursos financeiros”.

Para uma sociedade mais justa e equilibrada, é preciso que a população contribua activamente, defendeu. “Isso só se faz com trabalho, e não com a mendicidade nem com a subsidiodependência”.

“Estamos fortemente motivados em criar mais postos de trabalho, com melhores condições salariais”, disse.

O novo presidente da Câmara quer agilizar os processos de licenciamento, “promovendo uma correcta sinergia entre investimento, urbanismo e reabilitação urbana”.

“Queremos mais pessoas a viver no centro do Funchal”, afirmou, inequivocamente. “Uma cidade para os mais novos”, pelo que “vamos promover também programas de apoio à habitação a custos controlados para os casais mais jovens”.

Calado diz querer uma cidade alegre, com “diversão, luz e música, com movimento, com dinâmica”, cultural e artisticamente afirmativa. Promete, neste sentido, acarinhar os agentes culturais.

Outra promessa é de dinamizar o ensino com novas tecnologias, e alargar as bolsas de estudo a mais ciclos de ensino, apostando também na qualificação e formação em contexto real de trabalho.

O incentivo à prática desportiva, será também valorizado, “numa colaboração com clubes e associações desportivas”, atribuindo uma comparticipação por cada atleta com menos de 15 anos.

A aposta nos cuidados continuados especializados e o reforço do apoio domiciliário será também para prosseguir: quem se encontra em estado de fragilidade social, referiu, encontrará na autarquia uma porta aberta, no combate ao isolamento e ao distanciamento social.

Teleconsultas médicas gratuitas, enunciou, serão também asseguradas, facilitando o acesso à saúde a todos os funchalenses, “independentemente da idade ou dos rendimentos auferidos”.

Pedro Calado abordou um grave problema ao referir-se ás “ruínas sociais e morais” provocadas pelo álcool e pelas drogas. Neste campo, “procuraremos uma resposta clínica e social integrada”, prometeu, envolvendo diversas instituições no combate a este “flagelo”.

O combate às perdas de água que ainda se verificam é outra prioridade, bem como a melhoria do trânsito, principalmente nas entradas e saídas do Funchal.

O orador, no seu discurso de tomada de posse, assinalou ainda a vontade de trabalhar com o Governo Regional, como um importante parceiro estratégico; por outro lado, reafirmou o desejo de colaborar com o Governo da República, mas referiu a necessidade de que o mesmo olhe para os municípios da RAM de forma bem diferente.

“Não se pode tratar de forma igual o que é distinto, muito menos despejar competências nos municípios sem quaisquer contrapartidas financeiras. Isto é sacudir responsabilidades, à custa do estrangulamento das autarquias (…)”, acusou.

As verbas do Orçamento de Estado transferidas para os órgãos autárquicos da Região “têm obrigatoriamente de ser revistas (…) Não podemos aceitar ser tratados como mero departamento governamental da República ou como um qualquer distrito, e muitos menos ser coordenados por ministros com tutelas autárquicas, sem conhecimento profundo da nossa realidade”, declarou.

“É chegado o momento de dizer basta”, de assistir de forma “subserviente e tolerante ao degradar progressivo” de Portugal, que, perguntou-se, quanto tempo poderá resistir “a esta carga fiscal asfixiante” que causa o empobrecimento da classe média. “Até quando?”, interrogou-se. Situação que, disse, empurra os jovens para a emigração e obriga os mais velhos a subsistir com reformas magras e pouco dignas.

O Governo da República, acusou ainda, numa atitude “manipuladora”, castiga quem não é da mesma cor política, não respeitando compromissos assumidos e subtraindo verbas na esperança “de que assim se verguem ao seu despotismo”.

Acusou mesmo o Governo central de criar “chagas” e “feridas” num “país doente”, nem sequer valorizando, agora, os profissionais de saúde, aqueles que ainda há pouco eram aplaudidos por causa do combate heróico à pandemia da Covid-19.

Por outro lado, criticou, a proposta de Orçamento de Estado para 2022 injecta mais dinheiro na TAP do que investe na Saúde.

Entre outros “recados”, n o seu discurso Pedro Calado falou para dentro da CMF: disse-se orgulhoso dos funcionários da autarquia, contar com todos eles e estar apostado na sua melhoria de condições e em que nenhum deles seja discriminado: mas também alertou que não tolerará deslealdades para com a sua equipa.