Resultados preliminares dos Censos 2021 já estão disponíveis

O vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, divulgou hoje de manhã os resultados preliminares dos Censos 2021, numa conferência de imprensa realizada no Salão Nobre do Governo Regional.

A disponibilização dos resultados definitivos dos Censos 2021 está prevista para o quarto trimestre de 2022, existindo ainda uma apresentação de resultados provisórios até Fevereiro do mesmo ano.

Para já,, a Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) disponibiliza a partir de hoje no seu portal de estatísticas oficiais os Resultados Preliminares dos XVI Recenseamento Geral da População e VI Recenseamento Geral da Habitação (Censos 2021) para a Região Autónoma da Madeira (RAM).

Os Censos 2021 são uma operação estatística da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE), tendo ficado a cargo da DREM a coordenação da operação na Região, que, tal como sucedeu a nível nacional, contou ainda com a determinante colaboração das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesias.

A recolha de informação decorreu entre os dias 5 de Abril e 31 de Maio, com a participação activa e
empenhada da população, o que permitiu a conclusão da maior parte dos trabalhos apenas 6 semanas depois da data do momento censitário (dia 19 de Abril). 87,9% dos agregados madeirenses
responderam directamente através da página de internet dos Censos (censos2021.ine.pt), 7,7% foram entrevistados pelos recenseadores, 4,2% recorreram ao e-balcão da junta de freguesia e 0,2% tiveram preferência pelo preenchimento em papel e recurso à linha telefónica de apoio do INE.

Algumas entidades públicas e privadas responderam ao apelo da DREM na divulgação e promoção dos Censos 2021 junto da população. A comunicação social regional acompanhou de perto a preparação e execução da operação, ampliando de forma significativa a sua visibilidade.

Nesta fase, apresentam-se os primeiros dados sobre a população, agregados, edifícios e alojamentos, desagregados até ao nível de freguesia, cujos apuramentos resultam de contagens das principais unidades estatísticas recolhidas nos diferentes questionários aplicados nesta operação censitária. Assim, estes resultados poderão vir a sofrer ligeiras alterações após o respectivo tratamento final.

Os principais resultados preliminares apontam para que, nos últimos 10 anos, a população residente na RAM decresceu 6,2%, ou seja, contabilizaram-se menos 16 725 pessoas que em 2011, fixando-se a população em 2021 em 251 060 indivíduos. Deste total 53,1% são mulheres e 46,9% homens, sendo que a proporção de mulheres cresceu 0,3 pontos percentuais face aos Censos anteriores.

No país também se verificou um decréscimo populacional, embora menos significativo, de 2,0%. Das 7 regiões NUTS II, apenas o Algarve (+3,7%) e a Área Metropolitana de Lisboa (+1,7%) registaram aumentos da população residente. O maior decréscimo foi observado no Alentejo (-6,9%) e o menor no Norte (-2,7%).

No Centro e na Região Autónoma dos Açores as quebras foram de expressão semelhante, de 4,3% e 4,1%, respectivamente. Todos os municípios da RAM perderam população, sendo em Santana (-15,0%), São Vicente (-14,8%), Machico (-10,1%) e Câmara de Lobos (-9,8%) onde se observaram os maiores decréscimos. As reduções menos penalizadoras ocorreram em Santa Cruz (-1,7%), Ribeira Brava (-5,1%), Calheta e Funchal (-5,3%, em ambos).

Das 54 freguesias da Região, apenas se registou crescimento populacional em 7. Não obstante a redução populacional, o número de agregados aumentou 2,2% e, nos municípios, apenas
Santana e S. Vicente apresentaram uma redução nesta variável. Este resultado sugere a continuação da diminuição no número de pessoas por agregado.

Depois de um forte incremento parque habitacional no período 1981-2011, o mesmo estabilizou nos últimos dez anos, com o número de alojamentos para habitação a crescer 0,9%. Por sua vez, o número de edifícios diminuiu 0,1%, o que é justificado pelo facto de alguns edifícios terem deixado ser funcionais e também por uma aplicação mais rigorosa da diferenciação do conceito de edifício e de alojamento.

O gráfico abaixo ilustra a evolução, muito irregular, da população, nos últimos 70 anos. A população da RAM cresceu até 1950, altura em que atinge o valor mais alto de sempre: 270 mil residentes. A partir da década seguinte, a de 60 (período marcado por fortes movimentos migratórios) inverte-se a tendência e a população, apesar de uma estabilização entre 1970 e 1991, decresce até aos 245 mil, em 2001, voltando a crescer em 2011 para as 268 mil pessoas: valor muito próximo dos números de 1950/1960.

Em 2021, a Região volta a recuar aos 251 mil residentes, valor ao nível do registado nos anos de 1970, 1981 e 1991.

Nestes últimos 70 anos, a RAM perdeu cerca de 18,7 mil habitantes. Entre os 11 municípios apenas 4
ganharam população: Santa Cruz (+14 mil), Funchal (+12 mil), Câmara de Lobos (+5 mil) e Porto Santo (+2 mil). Os municípios da Calheta (-13 mil), Santana (-9 mil), São Vicente (-8 mil) e Ponta do Sol (-7 mil) foram aqueles onde se observaram as maiores perdas populacionais, em termos absolutos. Em termos relativos, as maiores perdas registaram-se nos municípios do norte da Madeira, com reduções em torno dos 60%.

Os resultados preliminares dos Censos 2021 indicam que a população residente continua a concentrar-se nos lugares mais urbanos da Região, ou seja, no Funchal e nos seus municípios contíguos a Sul, Câmara de Lobos e Santa Cruz.

O Funchal mantém-se acima dos 100 mil habitantes, mas perdeu quase 5,5 mil residentes nos últimos 10 anos. Os residentes no Funchal são agora 105 919. São Martinho passou a ser a freguesia mais populosa da Região, com quase 27 mil residentes. A Sé também ganhou população. O Monte, as freguesias mais orientais de Santa Maria Maior e S. Gonçalo, e S. Roque registaram quebras acima dos 10%. Santa Cruz foi o município que perdeu menos população na Região, apenas 1,7%, ou seja, 743 pessoas.
Santa Cruz contabilizou nestes Censos 42 262 residentes. O Caniço contrariou a tendência do município, com um crescimento de 3,1%, contando agora com 24 104 residentes, mantendo-se como a terceira freguesia mais populosa da RAM e a primeira fora do Funchal. Inversamente, Camacha e Santo da Serra foram bastante penalizadas, com quebras de dois dígitos. O número de alojamentos em Santa Cruz cresceu 1,0%.
Câmara de Lobos, depois de aumentos sucessivos nos três Censos anteriores, perdeu 3 491 residentes nos últimos dez anos, ou seja, 9,8% da sua população. Os residentes deste município são agora 32 175. O Curral das Freiras e o Jardim da Serra destacaram-se com as maiores perdas, enquanto a evolução nas outras freguesias foi muito semelhante, em torno dos -8%.

Como já atrás referido, apenas 7 freguesias registaram crescimentos populacionais: Água de Pena (+12,9%), Sé (+8,5%), Jardim do Mar (+4,9%), Caniço (+3,2%), São Martinho (+1,9%), Calheta (+0,8%) e Tabua (+0,4%). As que somaram as maiores quebras relativas foram Paul do Mar (-27,1%), Ilha (-25,9%), Achadas da Cruz (-23,9%) e Ponta Delgada (-23,3%).

A variação da população depende unicamente da evolução do saldo natural (nascimentos-mortes) e do migratório (imigração-emigração). Os dados disponíveis sobre o saldo natural são bastante consistentes, sendo que o saldo migratório é bastante mais difícil de estimar, pelo que estes dados deverão ser ligeiramente revistos com os dados censitários.

De notar porém que a diferença entre a população estimada pelo INE para a RAM em 2020 e a população dos Censos 2021 é pouco significativa, ao contrário de exercícios anteriores, em que as discrepâncias foram muito significativas. Para a diminuição da população residente nesta última década, concorreram saldos naturais e saldos migratórios acumulados negativos.

Sendo o saldo natural da década (-6 623 pessoas) substancialmente inferior à diminuição da população (-16 725 pessoas), significa que este saldo não explica a totalidade da quebra populacional, mas é maioritariamente consequência de um saldo migratório negativo, que se estima em 10 102 pessoas.

A evolução da população na última década é marcada por duas fases distintas: uma primeira metade em que os efeitos da crise económica que assolou a Região se fizeram sentir, com a saída de população associada a essa recessão e uma segunda metade em que existiu um retorno de emigrantes, essencialmente da Venezuela, ligado a um período de crescimento económico que permitiram uma redução dessas perdas e inclusivamente um ganho de população em 2019. Com efeito, o saldo migratório permanece positivo desde 2018, sendo contrariado por um saldo natural que desde 2012 está persistentemente negativo em mais de 500 indivíduos.

Os agregados compreendem os agregados domésticos privados, ou seja, o conjunto de pessoas que têm residência habitual no alojamento familiar, independentemente da existência de laços de parentesco ou da partilha de despesas, ou a pessoa independente que ocupa um alojamento familiar e também os agregados institucionais, isto é, o conjunto de pessoas residentes num alojamento colectivo que, independentemente da relação de parentesco entre si, são beneficiárias de uma instituição e governadas por uma entidade interna ou externa ao grupo de pessoas. Este é o caso dos lares de idosos, prisões ou instituições de apoio a crianças e jovens.

Em 2021, residiam na RAM 94 990 agregados, mais 2,2% que há 10 anos atrás. Todos os municípios
registaram um crescimento nesta variável, com destaque para Santa Cruz (+4,6%), exceptuando-se Santana (-9,8%) e S. Vicente (-8,5%). A dimensão dos agregados manteve tendência decrescente, passando de 2,9 pessoas em 2011, para 2,6 pessoas em 2021. Não obstante, a RAM surge como a segunda região onde este rácio é mais elevado.

Na RAM, em 2021, o parque habitacional era constituído por 130 840 alojamentos e por 91 873 edifícios, mantendo-se praticamente inalterado se comparado com 2011, registando variações diminutas: +0,9% nos alojamentos; -0,1% nos edifícios. O número médio de alojamentos por edifício de 2021 igualou-se ao de 2011, com o rácio a estabilizar-se nos 1,4.
Observaram-se crescimentos nos alojamentos em 8 dos 11 municípios da RAM. O município da Calheta registou o maior aumento relativo de alojamentos na Região, 4,5%, seguido dos municípios da Ponta do Sol (+3,9%) e do Porto Moniz (+2,6%)

 

Veja mais no vídeo elaborado pela Direcção Regional de Estatística no link: https://www.youtube.com/watch?v=0pLZXSYXKTA