Obra de Rigo 23 inaugurada por entre grandes elogios ao artista

Fotos: Rui Marote
A obra “Coroa do Ilhéu”, elaborada pelo artista plástico Rigo 23 com a ajuda do mestre calafate “Bailinha”, foi hoje inaugurada oficialmente pelo presidente do Governo Regional, secretário regional do Turismo e Cultura, presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e várias outras entidades. Curiosamente, já ontem se realizou uma apresentação extra-oficial do trabalho, que contou com a presença de figuras proeminentes da oposição política e inclusive, do padre Martins Júnior, entre outras personalidades.
Hoje, Rigo 23 fez questão de agradecer a presença das entidades e da restante assistência, salientando que a obra hoje inaugurada “resultou do esforço de muitas entidades”, tendo sido, para o artista, “um grande orgulho fazer parte da equipa que tornou isto possível”. Disse que, para ele, foi uma grande motivação a memória de infância de passar em Câmara de Lobos e observar a construção de barcos a decorrer na praia local. Considerou que se trata, do ponto de vista estético, de “objectos impressionantes”.
A obra, situada num local de durante décadas foi o bairro dos pescadores, “dá mais visibilidade” à actividade piscatória em Câmara de Lobos, sendo, no limite, uma homenagem à memória “daqueles que perderam a vida no mar, para tentar trazer comida para os outros”.
“Dedico esta obra à comunidade à qual pertence, e a que tentei, humildemente, prestar homenagem”, acrescentou. Tendo trabalhado com muitos trabalhadores locais, inclusive da autarquia, considerou “uma alegria enorme” compreender “a vivência das pessoas de cá”.
Por seu turno, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, recordou o quanto a vida dos pescadores era exigente, difícil e pouco rendosa. Nesse contexto, elogiou a necessidade de se criarem obras de arte que perpetuem a memória dos nossos antepassados e dos tempos complicados por que passaram, na sua luta pela sobrevivência, uma verdadeira “epopeia de trabalho e sacrifício”. Recordando que foi dos primeiros, enquanto presidente da CMF, a encomendar obras a Rigo 23, o chefe do Executivo elogiou o “grande artista plástico”, cujas potencialidades, entende, Pedro Coelho, edil camaralobense, soube bem aproveitar, Albuquerque disse que há que construir perspectivas risonhas para as novas gerações, mas defendeu o não apagamento do passado, antes a sua cuidadosa evocação e conservação.
Por seu turno, Pedro Coelho, disse que a pessoa que teve a ideia desta obra “foi Miguel Albuquerque, no âmbito das comemorações dos 600 anos”.
Este espaço, o ilhéu, e esta escultura, retrata muito bem o que foram as vivências das pessoas de outrora, frisou.
Já o mestre calafate Bailinha, num discurso proferido na oportunidade, confessou que foi difícil convencê-lo a abraçar este empreendimento, que sabia que ia ser muito difícil; mas mostrou-se satisfeito e orgulhoso do resultado.