O Semáforo dos corredores turísticos

No passado dia 21 de Junho, demos as boas-vindas a uma nova estação do ano, desta feita o Verão. Esta época é conhecida por muitos como a temporada das férias grandes, mas será que o tão desejado desconfinamento e retomar da vida dita normal será possível? Para isso é necessário considerar alguns dados particularmente relevantes que nos farão entender o que se poderá passar na nossa ilha no Verão presente.

O ano passado foi o primeiro ano em que vivenciamos uma das nossas épocas mais altas em pandemia. Apesar da nossa situação epidemiológica nessa época ter estado muito estabilizada, e termos sido considerados um dos destinos mais seguros para fazer férias, a Europa não esteve bem e um pouco por todo o mundo a situação esteve particularmente difícil. Essa situação levou a que muitos países tivessem imposto fortes restrições na mobilidade de circulação, fazendo com que as nossas taxas de ocupação não tivessem obtido valores particularmente extraordinários tal como se previa. Mas será que este ano a situação estará melhor?

A resposta a esta questão não é tão linear assim! Em teoria, o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem referido, é que existe algumas guidelines que irão contribuir para a diminuição da intensidade da covid19 um pouco por todo o mundo, sendo essas: a vacinação em massa à escala global, a manutenção das regras de utilização das máscaras de proteção individual, o respeito pelas normas de distanciamento social e demais regras de segurança emanadas pelas autoridades de saúde. Mas será que isto se revela suficiente para conseguirmos contrariar a tendência da queda do turismo?

A resposta a meu ver aqui é mais clara. Para a Madeira conseguir recuperar o seu fluxo turístico, é preciso ir um pouco mais além e olhar para a questão, não só de uma forma económica, mas também política. A Madeira viveu uma fase particularmente difícil no final de 2020, verificando-se um agravamento da situação, sendo necessário adoptar medidas mais restrictivas para conter os efeitos do contágio. Nessa altura, Portugal Continental e um pouco por toda a Europa, países como Espanha, Alemanha, França e Itália estavam a vivenciar situações muito idênticas, mas claro, com proporções distintas devido às diferenças populacionais. As medidas foram apertadas, e com o início da vacinação começou-se a desenhar planos de desconfinamento para iniciar a transição.

A Madeira desde o final do ano passado e com as medidas adoptadas pelo Governo Regional, vive desde Maio de 2021, uma situação epidemiológica muito favorável e convidativa, para quem pretenda passar cá as suas férias de sonho. Só que a entrada de turistas na nossa ilha não depende exclusivamente das regras do Governo Regional, mas também das regras de saída dos países de origem dos turistas. E aqui é que a situação se complica e reside um dos nossos principais problemas.

Do nosso país faz parte todo o território continental, juntamente com os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Dado a sua autonomia, quem gere as questões da pandemia nas regiões autónomas são os próprios governos regionais. Uma vez que os acessos às ilhas só podem ser efectuados por transporte aéreo ou marítimo (no caso da Madeira, ser necessário apresentar testes de covid negativos ou certificados de vacinação), parece-me pouco razoável que devido às complicações que têm existido a nível continental (muito devido à falta de eficácia de um governo socialista que está em fim de ciclo) que a Madeira volte mais uma vez a ser prejudicada.

O que se tem passado na nossa região é o espelho de um total descontrolo que se tem verificado a nível continental. Sempre que existe algum descontrolo em território Continental, Portugal é posicionado no mapa dos corredores turísticos como uma zona de risco, só que as situações epidemiológicas entre o Continente e a Madeira são muito distintas e não é justo que estejamos sempre a viver esta incerteza.

A situação que aconteceu com o Reino Unido é ainda mais caricata porque a Madeira, que já tinha sido adicionada à lista do corredor verde do Reino Unido, teve de ser retirada devido a situações externas à sua própria situação epidemiológica, mas volvidos 15 dias voltamos a ser adicionados em regime de excepção como se isso fosse um sinal de boa fé do governo britânico. A nossa situação epidemiológica continua estável como tem estado no último mês, a meu ver tem de existir claramente uma diferenciação entre os destinos Madeira e Açores até porque em termos de transporte aéreo na Madeira, a maioria das ligações áreas são diretas, mitigando os riscos de contágio nos aeroportos de Lisboa, Porto ou Faro.

A situação da Alemanha é também particularmente grave pois Portugal já foi excluído do corredor turístico. A situação dos semáforos tem de ser tida em conta devido aos riscos de contágio dos países, mas as regiões autónomas não podem estar constantemente a implorar que seja concedido regimes de excepção. Esta questão tem de ser discutida de forma diplomática, mas também com razoabilidade. A Madeira tem ótimas condições para receber os seus turistas em segurança, mas para isso, é necessário um esforço acrescido da vertente política para defender os interesses da Região.

*o autor escreve segundo a antiga ortografia da língua oficial portuguesa*