117 691 actos médicos em espera na RAM, denuncia a Iniciativa Liberal

Foto Rui Marote

A Iniciativa Liberal veio hoje, pela voz de Nuno Morna, recordar que em Outubro, ou seja, há sete meses, começou a questionar as autoridades regionais sobre os números da saúde que não tivessem a ver com o COVID. “Persistiu o Governo Regional em esconder aos madeirenses essa informação, como se não fossemos merecedores de saber”, denuncia a IL.

“Quantos exames complementares de diagnóstico, da medicina física e de reabilitação às análises clínicas, passando pela radiologia, endoscopia, gastroenterológica, cardiologia, anatomia patológica ou pneumologia, entre outros, foram adiados ou cancelados? Quais as quebras no recurso aos serviços de urgência nestes meses? Quantos deixaram de recorrer ao hospital com problemas graves, com medo de apanhar COVID? Quantos por sua iniciativa faltaram a consultas e exames marcados? Quantas juntas médicas deixaram de ser feitas? A que ritmo funcionaram os cuidados de saúde primários, primeira linha de combate à doença? Rastreios, exames de diagnóstico, referenciação hospitalar? Por via disto, quantos casos ficaram por identificar?

Quantos serviços dos Centros de Saúde deixaram de ser prestados? Quantos foram encerrados e durante quanto tempo? Como estão os índices de qualidade de atendimento dos utentes?

E cirurgias adiadas? E canceladas? Reabilitação? Fisioterapia?”, questiona a Iniciativa Liberal.

E vem acrescentar que soube agora a resposta: são 117 691 actos médicos que estão em espera. Consultas, cirurgias, exames, que milhares de madeirenses deixaram de fazer por causa de uma deficitária gestão de recursos, que deu tudo ao combate ao COVID e nada às restantes valências, aponta.

“A saúde dos madeirenses não pode ser só COVID. Em Março do ano passado, e durante alguns meses, foi decidido suspender uma série de actividades programadas para que todos os recursos e esforços se concentrassem no combate à pandemia, o que foi medida aceitável nesse primeiro momento. Alertámos em Abril para a urgência de conseguir tratar todos os doentes, COVID19 ou não, que necessitassem de hospitalização, com segurança, sem ter de recorrer aos esquemas implementados devido à crise. Até porque os índices de infecção na Madeira estavam, felizmente, baixos e a curva mais do que controlada”, refere o partido.

Esta força política diz que houve tempo para nos prepararmos para o segundo momento que vivemos no início deste ano, mas que não se fez nada para que os privados fossem chamados à equação, contratualizando com eles preços e lugares, de modo a que os casos não-COVID pudessem ser atendidos com eficiência e como o cuidado que merecem.

“Não podemos aceitar esta “espécie de moratória” à saúde.

Informar e não esconder é demonstrativo de abertura e vivência democrática, não sendo entendíveis os motivos que levaram o Governo a não revelar os números em causa.

Vamos esperar sentados que as devidas explicações sejam dadas bem como a responsabilização de quem escondeu o que devia ser transparente, porque sabemos, como sempre, que a estratégia do esquecimento é serventia da casa.

Cá estaremos para lembrar”, promete o partido.


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