Prémios “comprados”? World Travel Awards postos em causa

A Região Autónoma da Madeira muito se tem gabado dos prémios conquistados no sector turístico internacional. Entre eles, os “World Travel Awards”, que a têm reconhecido insistentemente como melhor destino insular do mundo. Mas a polémica está lançada, com as declarações do presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas, que numa entrevista ao jornal “i”, asseverou que os prémios do turismo são comprados, algo que foi confirmado ao mesmo jornal por vários empresários do sector, que asseguram que por apenas 500 libras é possível ser nomeado.

“Quer ganhar a nomeação de melhor destino? Pague 500 libras e vai ver que aparece no site da organização como nomeado. Quer ganhar o prémio? Então tem de negociar com eles o valor. É simples e é assim que funciona. Depois pode ter uma moldura na câmara, no seu hotel, restaurante, praia ou campo de golfe, entre muitas outras categorias”, disse ao i um destacado empresário que não quer dar a cara pela guerra entre empresários hoteleiros algarvios”, refere o dito jornal nacional.“Como é possível um hotel no Algarve ter sido o melhor da Europa durante seis anos?”, diz, acrescentando que só “quem não conhece o velho continente é que pode achar isso”, cita a publicação.Foi na edição do fim-de-semana que estoirou a polémica, que já levou à demissão de Elidérico Viegas, que entretanto, apesar de a ter apresentado, já veio reiterar tudo o que disse.  “Em relação a esses prémios só nós é que os conhecemos, o resto do mundo não sabe. São eleições feitas por entidades privadas que se regem por princípios económicos (…)”, denunciou ao “i”.

500 libras, cerca de 584 euros, é quanto custa candidatar-se aos “famosos” World Travel Awards, ironiza o i.

“O país vive embalado nessa coisa dos prémios e não faz ações promocionais como deve ser”, criticou um dos empresários que falou ao jornal.

Outro truque usado para promover Portugal como destino passa por convidar jornalistas estrangeiros para captar mais turistas. Uma realidade conhecida pelos mesmos empresários que preferiram anonimato”, acrescenta o mesmo jornal.

Este escândalo propõe toda uma nova leitura e interpretação dos tão apregoados prémios que a Madeira tem acumulado nos últimos anos, e bem assim a campanha em torno dos “nómadas digitais” que o Governo Regional vem apresentando como uma aposta brilhante, com artigos publicados em prestigiadas revistas internacionais, como por exemplo o “Der Spiegel”. No mínimo, suscita pelo menos toda uma série de dúvidas junto da opinião pública.

Fontes contactadas pelo Funchal Notícias no sector turístico madeirense acerca deste assunto vão no mesmo sentido: “Não nos surpreende nada. Já há muito tempo que suspeitávamos que era assim”.