Estepilha: o brinquedo desejado era uma TV e não uma rádio…

Rui Marote
Natal é época de  presentes. Tinha cinco anos quando recebi na casa dos meus pais a visita de um primo com mais posses monetárias que a minha família. Vinha munido de um carrinho de corda, brinquedo que nunca tinha visto. No corredor da casa que serviu de “pista” o carrinho deslizava velozmente.
Os meus olhos acompanhavam este carrinho até o embate nas paredes laterais. Apresentei, para comparação, o meu brinquedo, um carrinho de folha comprado na rua dos Tanoeiros. Empurrado por uma das minhas mãos, deslizava aos ziguezagues. Não cobicei o carrinho de corda do meu primo porque esse pecado não estava no meu coração de menino.
O preâmbulo da notícia está concluído: vamos narrar a história da rádio após o 25 de Abril. Havia duas rádios existentes na Madeira: o Posto Emissor do Funchal e Estação Rádio da Madeira (conhecida como a emissora do cambado), além da Emissora Nacional, que só veio para a Madeira a 22 de Outubro de 1967, tendo instalado um emissor.
As duas rádios locais sobreviviam da música pedida e de produção.
A 16 Junho de 1987 surge a rádio Solmar FM, na frequência 88.8. Uma rádio que funcionou no centro comercial D. João, que ocupou o espaço de uma loja comercial, visível aos frequentadores daquele espaço.
Foi intitulada de “rádio pirata”, uma vez que não possuía alvará, e assim funcionou ate 24 de Dezembro de 1988, quando encerrou. Os amadores que deram os primeiros passos mais tarde encabeçaram os quadros da RDP, RTP e Posto Emissor.
Só em 1989 foram atribuídas frequências onde surgiram a Rádio JM 88.8, Rádio Girão propriedade do Clube do Estreito, e Rádio do Clube Desportivo Nacional. Meses mais tarde apareceram as outras frequências.
Nos anos 90 a Radio Girão enceta conversações com o Diário de Noticias, para a compra desta frequência, o que DN recusou porque tinha outros altos voos. Não pretendia uma rádio mas sim uma televisão. Aqui o brinquedo ambicioso não era o carrinho de lata mas sim o de corda. Até hoje!!!
Estepilha: ai destino, ai destino… O grupo Diário acaba por adquirir a Rádio Girão e aderir ao projecto nacional da TSF, ficando com a frequência que inaugura a 4 de Novembro de 1997 na Travessa da Malta sendo director Ivo Caldeira.
A rádio passou alguns anos de “glória” e períodos conturbados, com despedimentos de trabalhadores, reduzindo o seu quadro redatorial.
Saiu da Travessa da Malta para as instalações do Diário (arquivo) na rua Fernão de Ornelas. Hoje ocupa  um reduzido espaço na Redacção do Diário. Recordamos que todas as rádios recebem um subsídio anual no valor de 23.000 euros. Neste despedimento colectivo sobra somente o “general ” sem exército. A TSF Madeira era uma referência na radio madeirense, que envereda pelo mesmo diapasão de outras rádios: tira cassete, põe cassete…
Agora, caricato, mesmo, é ver a delegação regional do Sindicato dos Jornalistas a apelar aos jornalistas do DN-Madeira para não fazerem o trabalho dos colegas da rádio despedidos. Recordo que o presidente do Sindicato na Madeira antigamente pedia aos seus colegas do DN para levarem o gravador aos eventos, gravando o som para a rádio sem que esta tivesse a necessidade de fazer deslocar um jornalista… Como as coisas mudam…!
Rádios
88.8 MHz – Rádio Jornal da Madeira • 89.6 MHz – Rádio Zarco • 89.8 MHz – RDP Madeira – Antena 3 • 91.6 MHz – Rádio Praia • 92.0 MHz – Posto Emissor do Funchal • 92.5 MHz – Rádio Santana • 96.1 MHz – Rádio Palmeira • 98.4 MHz – Rádio Girão • 98.8 MHz – Rádio Calheta • 99.2 MHz – Rádio São Vicente • 100.0 MHz – TSF – Madeira • 101.0 MHz – Rádio Popular da Madeira • 102.9 MHz – Rádio Porto Moniz • 103.7 MHz – Rádio Sol • 104.6 MHz – RDP Madeira – Antena 1 • 106.8 MHz – Rádio Clube da Madeira