Iniciativa Liberal considera que praga da anona “roça a catástrofe”

A Iniciativa Liberal considera que a situação do cultivo da anoneira roça a catástrofe. Refere o partido que o ecologista Raimundo Quintal sugere mesmo que “ao invés de se fazer e promover a Festa da Anona, se devia fazer o Funeral da Anoneira”.
“Uma praga de cochonilha e fumagina é a responsável pela dramática situação no sector”, diz a IL. “Há vários anos que isto persiste e não há Plano Estratégico que salve as árvores e permita aos produtores tirar rendimento do que cultivam”.
Para o partido, este é um problema fitossanitário que resulta do abandono de muitos produtores que não vêm nesta actividade qualquer saída. Refere haver pomares que foram criados com fundos comunitários que estão votados ao abandono.
“A cereja no topo do bolo”, diz Carlos Góis, da Comissão Coordenadora da IL, “é a enorme dificuldade que os produtores têm em colocar o seu produto no mercado”.
“As ajudas têm sido poucas ou inexistentes da parte das entidades competentes. Muitos produtores do Faial não têm projectos agrícolas, são pequenos produtores. Na Festa da Anona oferecem seus melhores frutos para a exposição (que supostamente depois são doadas a instituições de caridade) e recebem, muitas das vezes, em troca, um pacote de raticida”, constata o partido.
Para a iniciativa liberal “ser pequeno agricultor, por muito que se goste, representa um grande desgaste físico e, muito provavelmente, o ganho não superará as despesa e as perdas, o que faz com que seja quase impossível manter as anoneiras saudáveis, por muito que sejam tratadas e cuidadas, pois os terrenos ao redor estão abandonados e infestados”.
“Será que nos apetece comer um fruto que pode não ter conchonilha, mas que levou toneladas de fitofarmacêuticos potencialmente cancerígenos? O uso de sabão insecticida implica uma aplicação regular e basta uma falha para as anoneiras ficarem de novo infestadas..”
“Apesar do tratamento das anoneiras indicado pela da Secretaria da Agricultura ser o correcto, só isso não chega. É uma solução teórica a que faz falta a prática. À semelhança do que se faz onde a Agricultura é tratada a sério, devem ser constituídas pequenas equipas para ajudar no terreno os produtores, coordenadas por um engenheiro agrónomo, conhecedor de fruteiras subtropicais, e por operários especializados na poda de arejamento e fomento da floração, bem como dos tratamentos fitossanitários de prevenção e de recuperação das árvores infectadas”, propõe esta estrutura política.