Estepilha: construir e destruir para construir de novo…

Rui Marote

O que “nasce torto é para endireitar”, é o nosso lema. Há quem cultive mais o dito “O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Esperemos que não seja assim na obra da nova gare marítima do cais norte, que até temos elogiado. A construção decorre agora em ritmo de cruzeiro e com higiene que merece nota 10. Apontámos apenas a caixa do elevador que ficou sem uso, uma teimosia que fez passar o poço do elevador a “despensa de vassouras”.
Porém, no passado sábado  fomos confrontados com um “véu” a esconder uma coluna de um paredão concluído  no passado dia 22 de Fevereiro conforme as imagens documentam. Uma obra bem visível aos curiosos, em especial aos “engenheiros de bancada”… Tem sido assim, nada a esconder.
O engraçado é que sábado, dia 13, um martelo hidráulico derrubava uma parede de betão armado, destruição essa envolta numa rede verde. Chegámos a pensar que a semana da quaresma tinha chegado mais cedo à nova gare. Recorde-se que durante o período que antecede a Páscoa era costume as igrejas envolverem os seus santos e crucifixos num pano roxo: os mesmos só voltavam a ser destapados  na vigília pascal.
Conclusão: aparentemente a parede, que fazia um “L” estava fora de esquadria e parte da mesma teve de ser destruída. Entretanto já tudo foi reposto, com as cofragens prontas a receber o novo betão. Os enganos, porém, custam caro; resta saber se houve alteração no projecto ou se se tratou de uma má leitura…
Construir e deitar abaixo faz lembrar ao Estepilha um curioso acontecimento, a quando da inauguração de uma obra da Sociedade de Desenvolvimento do Norte. Dizíamos então a um trabalhador oriundo de São Vicente: “Sabe que as obras estão acabar … Pensa voltar agricultura?” Resposta pronta: “Não senhor! O Dr Alberto João vai mandar rebentar com tudo isto para voltarmos a construir de novo”…