O artista plástico Rigo 23 já não é o comissário da candidatura da cidade do Funchal a Capital Europeia de Cultura 2027, segundo clarificou o próprio em informação que nos facultou.
“Após contacto inicial da vereadora da cultura da Câmara Municipal do Funchal (CMF) e convite oficial por parte do presidente da mesma edilidade para que Ricardo Gouveia (Rigo 23) fosse “o comissário da candidatura da cidade do Funchal a Capital Cultural Europeia 2027”, foi-me comunicado em reunião camarária que se tinha tratado de um equívoco e que o convite ficava sem efeito”, refere o mais internacional dos artistas plásticos madeirenses.
“Para explicar o meu silêncio desde o anúncio oficial pela CMF, e para que prevaleça a informação e não aquilo que parece que é, agradecia que fosse tornado público que o convite da CMF se transformou em desconvite. Na verdade fui apenas convidado “a fingir que era o comissário” da candidatura”, refere o conhecido artista, que adianta que “pedidos suplementares de clarificação devem ser dirigidos a quem de direito na CMF”.
Em declarações prestadas em Outubro do ano passado ao jornal “Público”, o conhecido criador madeirense durante longo tempo residente nos EUA confessava-se entusiasmado com a ideia de ser comissário da candidatura do Funchal.
“O Funchal, pelas suas características atlânticas, pela proximidade com o continente africano, e por ser, desde sempre, um ponto de encontro, pode despoletar um diálogo sobre o que é a identidade europeia hoje”, disse na altura a este jornal nacional. Entendia então que essa reflexão sobre o que é ser europeu, e sobre a possibilidade de definir uma cultura comum é cada vez mais actual.
“A Europa vive (novamente) numa espécie de impasse. Com a China a crescer de um lado, a Inglaterra a recolher-se e os Estados Unidos a afastarem-se, tem de olhar para dentro”, postulava. E entendia que o Funchal, sendo Capital Europeia da Cultura, podia contribuir para esse debate.
O projecto mais recente desenvolvido na Madeira por Rigo e uma equipa liderada pelo mestre calafate Bailhinha, é a construção de uma embarcação tradicional de pesca – um Xavelha – no topo do ilhéu em Câmara de Lobos, simultaneamente uma embarcação tradicional e obra de arte contemporânea, participando jovens residentes do vizinho Bairro das Malvinas, bem como jovens de outras freguesias recém graduados em artes plásticas, conforme o FN noticiava em Outubro de 2020.
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