Ricardo Vieira “honrado” com convite diz que é preciso afirmar o CDS como partido da “direita social”

Ricardo Vieira sente-se “honrado” pelo convite feito pelo líder nacional do CDS, Franciso Rodrigues dos Santos para integrar o novo Conselho Estratégico e Programático (CEP) do partido.

Segundo Ricardo Vieira, o partido precisa de recentrar a sua matriz ideológica e afirmar-se como partido da “direita social”.

Ao Funchal Notícias, o ex-líder regional e ex-deputado centrista disse que o CDS deve manter a sua “consistência ideológica”, numa altura em que surgem fenómenos como o Chega que defendem algumas ideias que pertencem à matriz identidária do CDS mas que se revelam muito pouca consistentes e, sobretudo, uma “cultura epidérmica”.

Ricardo Vieira não tem dúvidas que o Chega defende algumas problemáticas que são “património do CDS”, caso das questões da segurança, mas afasta-se completamente do CDS quando, por exemplo, propõe castrações químicas ou segregações étnicas.

Pelo contrário, o CDS deve afirmar a sua “identidade política à direita”. E não deve “vacilar na sua missão” nem ter receio em apresentar-se como uma “referência ideológica” assente em valores cristãos.

Por isso é que, disse Ricardo Vieira, nunca poderia rever-se num líder que votou favoravelmente a despenalização do aborto (Adolfo Mesquita Nunes).

Recorde-se que o atual líder regional, Rui Barreto não apoiou Francisco Rodrigues dos Santos (Chicão) no último congresso, tendo, antes, apostado em João Almeida, que saiu perdedor. Por isso, Rui Barreto, no conselho nacional de ontem, votou contra a moção de confiança apresentada pelo líder.

Sobre a antecipação do congresso, tal como o líder nacional, Ricardo Vieira disse que tal ideia é extemporânea até porque o actual líder ainda não foi posto à prova em eleições.

“Há sondagens, não há eleições”, disse. Pelo que, não se deve sacrificar a estabilidade no partido por sondagens que valem o que valem. E deu o exemplo de Mário Soares, em 1986, cujas primeiras sondagens presidenciais lhe atribuíam apenas cerca de 8% das intenções de voto e acabou por vencer as mais disputadas eleições presidenciais portuguesas de sempre contra Freitas do Amaral.

Por outro lado, Ricardo Vieira entende que, no actual estado pandémico do país, os cidadãos não compreenderiam que fossem os partidos os primeiros a criar instabilidade.

Sobre as lutas internas no CDS nacional elas reflectem o último congresso e, no entender de Ricardo Vieira, ainda denotam alguns resquícios da era Paulo Portas.

Há protagonistas que são líderes de facção que nunca foram capazes de conciliar e conciliar-se com o partido. “É preciso dar lugar a outros, gente nova…”, disse.

Instado pelo Funchal Notícias a pronunciar-se sobre a comunicação de que o PSD e o CDS vão coligados no Funchal às Eleições Autárquicas deste ano, Ricardo Vieira disse que tal estratégia obedece à linha definida pela actual liderança regional segundo a qual se admite coligações onde as Câmaras são de outros partidos que não o PSD ou o CDS.

No entanto, “a questão não é juntar os trapinhos”. Mais importante é saber qual o programa para a cidade do Funchal e quais as pessoas que irão defender esse programa. Pelo que, teme que se esteja a pôr o carro à frente dos bois.