Comando Operacional da Madeira tem novo drone com capacidades muito úteis no apoio à protecção civil

O contra-almirante Dores Aresta mostra-se satisfeito com o novo equipamento.

Fotos: Rui Marote

O Comando Operacional da Madeira tem já um drone de médio porte, MATRICE 300 RTK, um aparelho capaz de prestar um auxílio precioso particularmente em situações de protecção civil. O Funchal Notícias teve a oportunidade de verificar as potencialidades desta aeronave durante a formação a que estão a ser submetidos vários militares do COM. Dois operadores de drones foram já formados no Centro de Instrução de Helicópteros da Marinha, na base aérea do Montijo, e um outro está a ser formado. No ano que vem frerquentarão outro curso que os habilitará a pilotar drones ainda mais complexos e avançados. Para já, estão a receber formação pelo engenheiro Ricardo Ferreira, da HP Drones, representante da empresa fornecedora desta tecnologia, que obedece às actuais exigências europeias e de segurança.

O contra-almirante Dores Aresta, actual Comandante Operacional da Madeira, sublinha que a grande mais valia que este drone vem trazer é a capacidade de operar “em condições meteorológicas mais adversas, e em orografias mais desafiantes, como é o caso da Madeira”. O drone pode resistir a ventos mais fortes, a condições de humidade e a maiores mudanças de temperatura. “Por outro lado, tem uma manobrabilidade que a maior parte dos drones desta dimensão não têm”, refere o oficial. Para a envergadura que tem, é um drone já bastante evoluído, com capacidade de transportar mais sensores, o que permite aos militares optar por equipamentos de diferente tipo consoante o tipo de operações.

Relativamente aos drones de pequeno porte que já eram utilizados pelos militares, este novo equipamento, maior e mais robusto, vem trazer a capacidade de prestar um apoio mais eficaz à Protecção Civil, diz Dores Aresta, que sublinha também a sua capacidade de vigilância quer de áreas terrestres, quer da orla costeira, “participando, se necessário, em acções de busca e salvamento marítimo”, ou detecção de situações de poluição marítima.

O FN presenciou o drone em funcionamento e constatou não só a sua manobrabilidade como ainda a magnificação da sua câmara, capaz de ampliar muitas vezes uma imagem distante sem significativa distorção. As imagens transmitidas são recepcionadas nos écrans do Centro de Operações do Comando Operacional. Por outro lado, o drone em si é operado de forma bastante portátil, com uma espécie de “joystick” dotado de um pequeno écran para o controlador. O aparelho pode ser utilizado de dia ou de noite, em condições de baixa visibilidade, e é dotado de infravermelhos, podendo discernir as pessoas pela sua “assinatura” de calor corporal. Isto pode ser bastante útil em tentativas de localizar pessoas desaparecidas em zonas montanhosas, por exemplo. Não é uma novidade em relação aos drones que o COM já vinha utilizando, mas este modelo é, nitidamente, melhor.

“Para aquilo que podemos fazer este momento, este drone é suficiente”, considera Dores Aresta, prometendo que dele serão extraídas todas as suas capacidades. Para a sua aquisição, refere, foi aberto um concurso internacional. Não nos quis revelar o preço, mas o aparelho terá custado algumas dezenas de milhares de euros.

Actualmente, o Estado-Maior General das Forças Armadas estuda a possibilidade de aquisição de novos drones de grande envergadura, para utilização a nível nacional. Uma vez adquiridos e operacionais, prevê o contra-almirante Comandante Operacional, permitirão também “a vigilância da extensa área marítima” da Madeira, aumentando a capacidade do exercício de soberania portuguesa.

De descolagem vertical, este drone pode ser operado de formas interessantes, e não apenas em terra. Por exemplo, pode ser usado a partir de um navio que seja deslocado para uma determinada área. Pode funcionar em modo discreto, com as luzes apagadas; os seus quatro motores ouvem-se bem pouco, provocando pouco mais que um zumbido, imperceptível uma vez ultrapassada uma certa distância.

Utilizando baterias de lítio, o drone tem cerca de 50 minutos de autonomia e um raio de alcance de 15 km, explica o engenheiro Ricardo Ferreira. O drone pode ser comandado por dois operadores, um como navegador, e outro a operar a câmara. O controle pode ainda ser passado de uns operadores para outros, posicionados a diferentes distâncias. A câmara tem uma magnificação até 20x de zoom óptico, e 180x digital. O sensor térmico permite detectar não só pessoas desaparecidas, como, naturalmente, eventuais focos de incêndio nas serras. É eficaz a uns 200 metros de distância. Trata-se de um drone de última geração, que saiu este ano, e tem múltiplas possibilidades de expansão, utilizando diferentes equipamentos, transportando kits de primeiros socorros a gente em dificuldades, e muitas outras coisas. Pode operar debaixo de chuva e, mesmo que um dos seus motores se avarie, continua a voar.

Para o COM, este equipamento vem trazer um significativo incremento na aptidão para o apoio militar de emergência à protecção civil, principalmente em cenários de catástrofe.

Dores Aresta mostra-se satisfeito com o novo equipamento, referindo que, pouco mais de um ano após a sua tomada de posse, os objectivos delineados na Directiva Estratégica do CEMGFA para o Comando Operacional da Madeira têm sido amplamente alcançados.

Já tendo sido concluída a melhoria significativa da anterior sala de controlo do Centro de Operações, que permite acolher não só militares mas representantes de entidades civis, e com a “transformação tecnológica já num estado muito avançado”, o COM mostra-se agora focado no desenvolvimento de uma capacidade conjunta de vigilância por drones. No início deste ano foram adquiridas duas aeronaves de médio porte, bem equipadas, que têm demonstrado capacidades adequadas  a um primeiro contacto entre operadores e os sistemas”.

Para o Comandante Operacional, esta foi a altura de apostar nesta capacidade, tendo sido estudados, durante vários meses, diversos modelos de drones de médio porte para uso militar, tendo-se optado pela aquisição deste “Matrice 300” que utiliza tecnologia RTK (Real-time Kinematic) e que, enquanto um GPS comum de navegação fornece uma precisão de 5 a 10 metros, reduz o erro conseguindo atingir uma precisão de centímetros. Uma tecnologia para a qual vislumbramos, sem dúvida, utilidade na Região.