PS vem exigir ao Governo Regional estratégia para resolver problema da água de rega

Os parlamentares do PS-Madeira na Assembleia Legislativa da Madeira vieram hoje exigir ao Governo Regional uma estratégia eficaz para a resolução do problema da falta de água de rega. Esta manhã, os socialistas estiveram na freguesia de Câmara de Lobos, onde puderam constatar esta problemática junto dos agricultores locais, realçando que há que implementar soluções que sejam capazes de responder a esta questão.

A deputada Sílvia Silva, porta-voz da iniciativa, começou por lembrar que, já em 2015, quando foi anunciada e publicada a Estratégia de Adaptação às Alterações Climáticas, a escassez de água era já um dos problemas mais graves indicados, sendo que, passados 5 anos desde a elaboração do documento, não foram feitos grandes avanços nesta matéria. “O Governo continua sem adoptar uma estratégia eficaz de resolução deste problema e continua a apontar acusações para as autarquias e a desculpar-se com o desvio para consumo público”, referiu esta deputada.

A mesma acrescentou, todavia que, actualmente, devido à quase ausência de turistas, à baixa na restauração e ao encerramento de muitos hotéis, o consumo público deve ser mínimo comparado com outros Verões. Isto, aliado ao abandono dos terrenos agrícolas, “faz-nos questionar onde anda a água que devia estar a chegar aos agricultores”.

Sílvia Silva abordou também o facto de o Governo Regional adiantar que está a tentar resolver o problema através do investimento na construção do túnel do Pedregal, que vai beneficiar cerca de 9 mil explorações na costa sul, entre a Ribeira Brava e Câmara de Lobos. No entanto, a socialista entende que, mais uma vez, não estão devidamente identificadas as reais necessidades dos agricultores, já que, se a Madeira tem cerca de 11 mil explorações activas e se só este túnel vai beneficiar 9 mil explorações, isto significa que existirão explorações inactivas ou abandonadas que terão água e que será desperdiçada, enquanto outras que realmente precisam não terão água suficiente.

Por outro lado, a deputada recordou que, em tempos, o Governo Regional pagou milhões de euros para avaliar a implementação de um projecto de água de rega sob pressão, que iria resolver parte do problema, optimizando a água disponível e diminuindo os custos energéticos de rega com um sistema semelhante à distribuição da água de consumo público, que só utiliza e paga quem precisa e quem consome. Contudo, lamentou que tal não tenha avançado. “Não sabemos o que foi feito desse projecto e queremos saber as conclusões do mesmo”, desafiou, advertindo que “a estratégia não pode ser apenas de investimento em betão, em manilhas e em lagoas”, como se pode ver no exemplo da lagoa do Santo da Serra, que já foi inaugurada várias vezes e, até hoje, os agricultores em Santa Cruz também não têm água de rega. Aliás, explicou que o problema da falta de água acontece não apenas em Câmara de Lobos e Santa Cruz, como também na Ponta do Sol, Canhas e noutras zonas da costa sul.

“É preciso uma estratégia”, reivindicou Sílvia Silva, dando conta do facto de chover cada vez menos e de ser necessário potenciar essa mesma água. Na sua perspectiva, isso passa por um plano de gestão da água que começa por tentar aumentar a sua captação em altitude e infiltração nos solos de montanha, com um novo modelo florestal, porque este não está a funcionar. É igualmente necessária uma mudança nas orientações do modelo produtivo para a adopção de técnicas que retenham mais água no solo, nomeadamente com aplicação de estrumes, pelo que é preciso incentivar a produção animal e todo um conjunto de práticas que diminuam a evaporação e aumentem a retenção de água no solo, nomeadamente através do empalhamento e da mobilização mínima. De acordo com a deputada socialista, toda esta estratégia conjunta e concertada deveria estar vertida no Plano Regional da Água, que já devia ter sido revisto em 2018 e ainda não foi, apesar de esta ser uma das questões às quais o Governo deveria dar prioridade, porque agora falta a água de rega, mas, se nada for feito, faltará água para abastecer a população.

A socialista referiu ainda que o norte da ilha tem água suficiente e baixo consumo e que o sul tem pouca água e um elevado consumo, tornando este lado da ilha deficitário, pelo que compete ao Governo arranjar mecanismos de compensação ao norte por este recurso e serviço público que fornece, garantindo meios para que continue a preservar o ecossistema e as actividades que desenvolve, que permitem que isto aconteça.