Passou-me ao lado o ódio a Câmara de Lobos depois das últimas notícias Covideiras. Estava a costurar máscaras.
Quando acordei para o mundo, já o mundo era outro. A frequência já era outra. O mundo já era Je Suis Xavelha.
Sucediam-se as manifestações de solidariedade, de força, de alento.
Como deve de ser.
As generalizações e a procura incessante de bodes expiatórios em massa nunca abonam em favor da Humanidade. A História já nos deveria ter ensinado isso, até porque os exemplos são recorrentes e à escolha do freguês.
Obviamente que é um disparate imputar a uma freguesia um comportamento. Recriminar ou discriminar por isso. É despropositado, inusitado. Estúpido, basicamente.
Se eu me ri a ver alguns vídeos? Ri-me. O meu preferido é o do comboio.
O dos Simpsons, o primeiro que vi quando saí do modo costureira, foi-me enviado por um amigo de Câmara de Lobos. Ri, sim.
Se isso faz com que ache que toda a gente de Câmara de Lobos tem culpa? Obviamente que não.
Se isso faz com que ache que toda a gente de Câmara de Lobos é igual? Se aceitasse isso, teria de achar normal ser queimada na fogueira facebookiana sempre que alguém de São Roque cometesse um disparate. Faz sentido? Nenhum.
Mas isso é uma coisa. Outra coisa é falar das pessoas que estão envolvidas nesta foçada. Em bom madeirense.
Tento, na minha vida, ser empática. Colocar-me no lugar das outras pessoas. Tentar perceber as circunstâncias atenuantes. É um exercício como outro qualquer.
Até poderia pensar coitados que também não sabiam. Coitados que, passado tanto tempo sem sintomas, não poderiam adivinhar que estariam infetados. Coitados que se calhar só infringiram na Páscoa.
Mas não quero.
A ser verdade o que se conta nesta história algo mal contada, não quero.
A ser verdade a foto que circula, não quero.
Quero ficar irritada. Quero ficar revoltada.
Quero gritar que direito pensam vocês que têm de pôr toda a gente em risco. Quero berrar porque raios acharam que poderiam estar com a família (muito) alargada só porque era Páscoa. Ao arrepio do deveria ser feito. E do que sabiam que era a coisa certa a fazer.
A ser como se diz, quero chamar-vos de irresponsáveis, egoístas e energúmenos.
Quero que sejam bem tratados. Quero muito que recuperem. Sim, quero.
Mas também quero ficar irritada, quero ficar revoltada, quero gritar e quero berrar. Porque estávamos a ir tão bem. Porque estávamos a ver a luz ao fundo do túnel. Porque obrigam-nos a mais confinamento, a mais medo, a mais dificuldades.
Porque fazem-nos morrer na praia. Na praia a que, se calhar, não vamos este Verão.
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