O secretário regional da Saúde e Protecção Civil reforçou hoje a ideia de que a RAM necessitará de dois ciclos de incubação do coronavírus, ou seja, 28 dias, sem o surgimento de novos casos positivos, para que possa começar a considerar o abrandamento das actuais medidas restritivas em vigor para pessoas e empresas. Pedro Ramos referiu-se ao novo caso ontem detectado para salientar que o vírus não se comporta exactamente da mesma forma em todas as pessoas. “Passado um mês em isolamento, há ainda quem só agora manifeste sintomatologia da Covid-19”, alertou. Procurando responder às perguntas de porque há, até agora, tão poucos recuperados na Região, insistiu em que os Covid-positivos têm de repetir o teste ao fim de 14 dias e precisam de dois testes negativos para poderem ser considerados recuperados. A verdade, porém, é que ainda há muito que se desconhece sobre esta doença, e as autoridades de saúde regionais só podem garantir que vão acompanhando a situação a par e passo.
Referindo-se à conferência de imprensa hoje realizada na Quinta Vigia, Pedro Ramos recordou que Miguel Albuquerque referiu então que “o vírus ainda continua entre nós, razão porque não podemos abrandar as nossas medidas de uma forma drástica”. Considerações que vão ao encontro, sublinhou, das indicações hoje prestadas pelo presidente da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, que sublinhou que este novo coronavírus é dez vezes mais letal que o da gripe e que tem uma particularidade fundamental: acelera rapidamente, mas desacelera muito lentamente, o que coloca sérios problemas aos serviços de Saúde, para dar resposta aos casos cuja recuperação é lenta, enquanto vão sempre surgindo mais e mais casos positivos.
O governante com a tutela da saúde assinalou ainda que hoje é o dia no qual a generalidade do país decidiu aplicar a obrigatoriedade do uso de máscaras não cirúrgicas para a população em espaços públicos, “seguindo o exemplo da Região Autónoma da Madeira, que fez a mesma afirmação e tomou a mesma decisão no dia 8 de Abril”. Congratulou-se, por outro lado, por este ser o quinto dia sem casos reportados de transmissão local, depois de ter assinalado um caso importado ontem. Aproveitou ainda para considerar, mais uma vez, que os números da pandemia continuam a ser “arrepiantes” em todo o mundo e para recomendar que não se tomem comportamentos diferentes dos que têm sido adoptados até agora, para não comprometer a segurança da população.
Dirigindo-se aos profissionais de saúde, cujo trabalho agradeceu, procurou tranquilizá-los sobre uma matéria em concreto, os pagamentos de horas extraordinárias em atraso, garantindo que quando a actividade normal for retomada, “tudo estará em dia”.
Por seu turno, Bruna Gouveia, vice-presidente do IASAÚDE, traçou a situação epidemiológica na Região. Hoje totalizou-se o número de 555 casos suspeitos estudados desde 29 de Fevereiro. Destes, 503 foram excluídos. 51 casos foram positivos, sendo o primeiro caso identificado a 16 de Março. Dois destes casos estão já recuperados, conforme anteriormente anunciado, o primeiro a 4 de Abril, o segundo no dia 11. “Significa que temos 49 casos de infecção por Covid activos”. Neste momento, há um caso notificado que aguarda análise laboratorial.
Do total de doentes com Covid-19 acompanhados no Serviço de Saúde da RAM, mantém-se apenas internado um doente, nos Cuidados Intensivos. “Apesar de manter o seu estado crítico, exigindo os Cuidados Intensivos, encontra-se hemodinamicamente estável”, assegurou Bruna Gouveia. Os restantes 49 doentes mantém o estado e permanecem em isolamento no seu domicílio ou em unidade hoteleira designada.
Além dos casos suspeitos estudados, têm sido realizado testes para rastreio a grupos especiais, como já foi anunciado. A 12 de Abril foram realizados outros 16 testes de rastreio ao Covid-19 no SESARAM, para doentes que entram pelo Serviço de Urgência e ficam hospitalizados, que são sujeitos a tratamento, grávidas ou doentes que vão ser transferidos para outras unidades. Estes testes realizados ontem deram negativo.
Até à data, na Região, foram realizados 1059 testes. Por enquanto, a RAM não está ainda a equacionar a possibilidade de realização de testes aleatórios na população, preferindo orientá-los para determinados grupos, em seu entender, mais susceptíveis de contrair o novo coronavírus.
Do supracitado número de testes, 33 por cento foram realizados nas unidades hoteleiras, em número de 348. Neste momento, as autoridades de saúde dos vários concelhos da Região têm em vigilância activa 282 pessoas. Destes, apenas um é um profissional de saúde. Dois são os bombeiros do concelho do Porto Santo.
Neste momento 150 pessoas estão em quarentena obrigatória nos hotéis designados para o efeito, 8 no hotel Praia Dourada, no Porto Santo; 3 na Quinta do Lorde; 119 no hotel Vila Galé e 20 no hotel D. Pedro Machico.
Em vigilância activa, encontram-se 298 pessoas.
A linha SRS 24 registou ontem 59 chamadas, essencialmente com questões gerais sobre a Covid-19 e sobre o uso de medidas de protecção. Já foram efectuadas 5645 chamadas. Destas, 170 foram encaminhadas para as autoridades de saúde para apreciação de critérios de casos suspeitos.
Questionada pelos jornalistas, Bruna Gouveia disse ainda que a RAM está a trabalhar com várias entidades sobre modelos de predição de crescimento dos casos de coronavírus, mas afiançou que os modelos desenvolvidos com grandes números e aplicados à realidade dos países, inclusive de Portugal, podem não ser aplicáveis e fidedignos quando relacionados com a realidade regional da Madeira. Pedro Ramos, pelo seu lado, admite que possam existir muitos mais infectados em Portugal, mas que permanecem assintomáticos, podendo no entanto transmitir o novo coronavírus a outras pessoas. Daí a necessidade de permanecer em isolamento social durante mais algum tempo, não contaminando os outros.
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