Médicos reconhecem empenho global mas pedem testes para não falhar os “pilares”

Os médicos, na Madeira, começam a ver a “luz ao fundo o túnel” relativamente à estratégia de proteção para fazer face à COVID-19, um quadro diferente daquele verificado no continente, onde as estruturas sindicais, FNAM e SIM, já solicitaram reunião urgente à ministra da Saúde Marta Temido, levando uma preocupação cada vez mais presente no que diz respeito à exposição dos profissionais.

Presidindo ao Sindicato Independente dos Médicos na Região, a médica Lídia Ferreira considera que há uma diferença substancial entre o que se passa no continente e a realidade na Madeira, “muito melhor”. Admite algum racionamento, reconhece que a situação ideal não ocorre, mas deixa como indicador positivo o facto de haver, cada vez mais, uma ponderação no sentido de utilizar proteção para todos, tanto para os profissionais como para os doentes, sendo “com agrado que verificamos essa evoluçao”.

Situando o seu discurso entre o que seria ideal e o esforço, generalizado para uma melhoria efetiva das condições, aquela profissional, que no âmbito da crise está operacional apenas no serviço público, deixando as prestações no privado, aponta um outro empenho que tem sido bem visivel, envolvendo “grupos autónomos que têm trabalhado imenso para a construção de máscaras e viseiras, dando corpo a um espirito de conjunto que é de enaltecer”. Tudo isto aliado ao “contributo que as estruturas governamentais e hospitalares têm revelado, no sentido de adotar procedimentos que vão no sentido da proteção efetiva”.

Lídia Ferreira não tem dúvidas em afirmar que, globalmente, na Madeira, “estamos de parabéns”, justificando essa posição com a diferença registada entre comportamentos das pessoas na Região e no continente. “Enquanto no continente, as pessoas ainda não acatavam as restrições às saídas, já na Madeira essa era uma prática aceite. Vemos isso todos os dias, nas precauções verificadas nos supermercados, já vi inclusive inspetores, em determinados serviços, verificando se os mesmos estavam em conformidade com as recomendações. São pequenas coisas mas que mostram que há um empenho global e que as pessoas, na grande maioria, respeitam as orientações e compreendem o que está em causa”.

Aquela responsável sindical aborda a estratégia regional de não permitir a mobilidade de profissionais, entre instituições, como uma decisão que visa “acautelar e limitar a propagação desta infeção”, desejando no entanto, que sendo a mesma “prata da casa”, não se descure a assistência para outras áreas, também elas muito importantes. No meu caso, escolhi ficar no sistema regional de saúde, pelo que cancelei a minha atividade no privado”.

Reforça a ideia que “os médico da Madeira estão empenhados para que a estratégia regional dê certo, mobilizam-se para encontrar soluções e há uma perceção do esforço que o Governo Regional, através da secretaria regional da Saúde, tem feito no sentido de conseguir o material suficiente para que a prestação da assistência médica ocorra nas melhores condições possíveis neste enquadramento”.

Lídia Ferreira deixa um alerta para a importância de acelerar os testes a todos os profissionais. “É importante começarmos a ver o combate à COVID-19 numa perspetiva clara de operacionalização dos serviços de assistência. Até pode ser dispendioso fazer o teste, mas será muito mais dispendioso se os médicos não puderem trabalhar. Não podemos permitir que se chegue a uma situação de rutura, que é o que acontecerá quando deixarem de existir aqueles elementos que são pilares na continuação da abordagem desta situação”.

Lembra que “todas as profissões são importantes na estrutura social, mas existem particularidades, nesta situação, que tornam alguns grupos num contexto que devem merecer uma abordagem diferente para que todos os outros se sustentem”.

Este contexto de realidade mundial, imposto pela COVID-19, veio recolocar alguns acertos nas prioridades, como faz questão de realçar a médica. “Esta situação veio abanar tudo o que tormamos como certo na nossa vida e que, infelizmente, só acordamos quando levamos um abanão. E esperemos que não seja mais grave do que já é”.