Pedro Ramos pede: “Por amor de Deus, fiquem em casa”; Albuquerque anuncia amanhã mais medidas restritivas

“Pelo amor de Deus, fiquem em casa”. O apelo foi insistentemente repetido hoje pelo secretário regional de Saúde, Pedro Ramos, na conferência em que, com a directora do IASAÚDE, Bruna Gouveia, fez o balanço do número de infectados com o novo coronavírus na Região. Conforme já adiantámos, são agora 34, mais dez de ontem para hoje. O governante avisou ainda que o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, deverá anunciar amanhã medidas mais restritivas aos cidadãos.

Pedro Ramos deixou, também, pela primeira vez, uma mensagem a todos os emigrantes madeirenses, apelando-lhes para, nos países em que residem, e em que há também casos positivos da doença, permanecerem nas suas habitações, seguindo as recomendações dos respectivos serviços de saúde. Só ficando em casa, insistiu o secretário, “será possível controlar a disseminação deste vírus”. O aviso vem numa altura em que se torna notório para a comunicação social e para as autoridades, que há muita gente que não está, na RAM, a acatar as recomendações para fica em casa.

Os números da Madeira divergem dos números relatados pela Direcção Geral de Saúde. Já foram menos, agora são mais: ontem a Madeira relatava ter 24 casos, enquanto a DGS citava hoje, em dados oficiais, 31 casos. Afinal, refere Pedro Ramos, são 34.

Mas o governante com a pasta da Saúde refere que os jornalistas têm que questionar é a DGS sobre estas situações em que a contabilidade não bate certo. Garante que os únicos números reais, que são para levar a sério, são os divulgados pelas autoridades de saúde madeirenses. “Tem havido uma certa confusão”, admite, com “as fontes de informação da DGS”, mas diz aos habitantes da Madeira e do Porto Santo para ficarem tranquilos, porque “a única informação válida” sobre o Covid-19 na Madeira é a anunciada pelo Governo Regional, a partir da Secretaria Regional da Saúde e Protecção Civil, todos os dias, às 18 horas.

O aumento substancial de casos identificados é sublinhado por Pedro Ramos da seguinte maneira: “Estamos a identificar mais gente, mais contactos, e estamos a fazer testes a essas pessoas”. Agradeceu, entretanto, à Polícia de Segurança Pública pela monitorização dos casos de pessoas que se encontram no domicílio, para se certificar que as pessoas cumprem o necessário para evitar que a pandemia se espalhe entre a nossa população.

Pedro Ramos referiu ainda que um dos casos positivos obrigou ao encerramento de um supermercado na Ribeira Brava, estando agora a ser acompanhados os funcionários do mesmo.

“Nem tudo é negativo”, frisou, porque a maioria dos doentes encontra-se no domicílio, permanecendo apenas um doente internado. Nenhum doente necessitou até agora de cuidados intensivos. Os profissionais de saúde encontram-se preparados para acudir às necessárias situações. Ficar em casa, entretanto, “é uma obrigação”.

Por seu turno, Bruna Gouveia abordou a situação epidemiológica na RAM. Com 34 casos positivos, há 4 doentes que aguardam resultados. Desde 29 de Fevereiro, houve 138 negativos, totalizando 176 casos suspeitos, registados na RAM.

Quanto aos dez novos casos, metade é do sexo masculino e a outra metade do sexo feminino, com idades variadas. Duas pessoas têm entre 20 e 29 anos, uma com idade entre os 30-39, duas na faixa etária dos 40-49 anos, duas na dos 50-59 anos, e três pessoas na faixa dos 60-69. Todos são residentes na Região Autónoma, dois no concelho do Funchal, dois no de Câmara de Lobos, três na Ponta do Sol, três no concelho de Santa Cruz, e um com residência oficial no Porto Santo, mas que reside desde o início deste ano no Funchal. Todos os novos doentes apresentam sintomas ligeiros e estão a cumprir isolamento no domicílio.

Destes casos, cinco deles têm ligação epidemiológica a áreas com transmissão da doença, ou seja, “importados”. Um é proveniente de Portugal continental (região norte), outro da Suíça, dois do Brasil e um proveniente de uma série de países com transmissão comunitária activa, nomeadamente Emirados Árabes Unidos, Espanha e Portugal. Os outros cinco casos são de transmissão local. Um novo caso é um contacto próximo com um doente que tinha proveniência da região de Lisboa e Vale do Tejo e residência no Funchal. Três doentes são contactos próximos de um caso já diagnosticado, com proveniência de França e residência na Ponta do Sol. Trata-se de doentes assintomáticos, que foram sujeitos a teste, por serem contactos de alto risco, sendo assim diagnosticados numa fase precoce da doença. O último caso a reportar com transmissão local, foi hoje identificado: um doente que manifestou sintomas após ter tido contacto com turistas provenientes do Reino Unido que estiveram na RAM até 14 de Março. É este o doente que tem residência no Porto Santo, mas reside agora permanentemente no Funchal.

Estão, entretanto, 611 pessoas em vigilância activa, nos vários concelhos. Há 12 profissionais de saúde neste número.

Em alojamento próprio dedicado à quarentena obrigatória, estão 119 passageiros, 21 no Hotel Praia Dourada e 98 na Quinta do Lorde.

1406 pessoas estão em vigilância passiva. A linha SRS 24 registou uma ligeira diminuição de actividade em relação ao dia de ontem, com 101 chamadas até às 15 h, totalizando 4296 no total até agora, para aconselhamento ou encaminhamento.