Sindicato dos Enfermeiros desconhece plano de contingência do SESARAM e Juan Carvalho admite “algum receio”

Os enfermeiros madeirenses que não queiram ir para casa para não correrem o risco de infeção aos familiares, já têm solução : Alojamento Local.

Os enfermeiros madeirenses estão preocupados com os dias que aí vêm, incluem o conjunto de profissionais que estão na linha da frente do combate à COVID-19 e enfrentam alguns problemas resultantes, essencialmente, da falta de equipamentos de proteção, já prometidos pela tutela regional da Saúde, mas ainda racionados nas unidades hospitalares. Temem o hoje, mas sobretudo o amanhã, onde previsivelmente o número de infetados irá subir. A Madeira tem cerca de 1800 profissionais de enfermagem, 12 estão sob vigilância.

Em contraponto, relativamente a esta situação negativa da falta de equipamentos de proteção, já há solução para os profissionais que, durante este período, não queiram ir para casa, como forma de prevenir qualquer possibilidade de contágio nos familiares, sendo que agora poderão optar pelo Alojamento Local depois de uma primeira opção pela Pousada da Juventude que, segundo Juan Carvalho, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Madeira, “não tinha condições para receber os enfermeiros pelas próprias especificidades daquele tipo de alojamento”.

Juan Carvalho dá voz aos alertas daqueles profissionais, diz que “uma das questões que causa apreensão prende-se precisamente com a falta, em alguns casos específicos, de equipamento de proteção, sobretudo para os que executam o diagnóstico dos casos suspeitos e outros que estão mesmo na prestação de cuidados aos que se encontram infetados. É verdade que o senhor secretário já veio dizer que a encomenda de material está feita, mas julgo que seria importante a Região ter alguma reserva como forma de enfrentar, pelo menos na primeira fase de uma situação destas”.

Em função desta realidade, os enfermeiros entram ao serviço com os medos do desconhecido e com tendo presente os números registados noutros países, principalmente Itália e Espanha, mas também outros, no fundo um pouco por todo o mundo. O líder da estrutura sindical diz que “não é de ânimo leve que os enfermeiros vão para aquela frente, há a apreensão dos riscos de contágio e sobretudo a perspetiva da forma como será dada a resposta com mais casos. Devo dizer que tenho algum receio se as coisas estão preparadas para o caso da situação se agravar”.

E, neste particular da estratégia regional, Juan Carvalho afirma desconhecer o plano de contingência do SESARAM. “Nem os serviços, nem o Sindicato, em termos institucionais, conhecem o conteúdo do plano de contingência do Serviço Regional de Saúde. Era importante conhecer esse plano. Alerta que, talvez um plano pudesse contemplar que os enfermeiros em idades que envolvam algum risco, não pudessem avançar num primeiro momento. Não é isso que esta a acontecer, as medidas estão um pouco em cima do joelho”.

O dirigente sindical aponta, ainda, um outro pormenor diretamente ligado com a medida de acompanhamento a filhos menores até 12 anos, lembrando que “essa medida só abrange até ao dia 29 de Março, data fixada como início das férias escolares, o que motiva, desde logo, um apelo ao Governo Regional para que encontre uma solução relativamente aos filhos dos enfermeiros que não podem ficar sozinhos em casa”.

Juan Carvalho acrescenta que “muitos dos profissionais nem puderam utilizar essa medida por estarem precisamente nessa linha da frente do combate, pelo que na Região seria aconselhável uma alternativa que passasse por uma situação idêntica à que acontece a nível nacional, de encontrar um estabelecimento de ensino onde as crianças pudessem estar sob orientação da Educação. Mas a solução até poderia ser outra, o importante é que houvesse uma nesse sentido. E não só para os enfermeiros, mas obviamente para todos os profissionais de saúde.”

Relativamente ao enfermeiro que adoeça, no âmbito da prestação de cuidados a doentes infetados, recorda que o mesmo “entra de baixa e fica prejudicado no seu vencimento, uma vez que desconta nos três primeiros dias e 10 por cento até aos primeiros 30 dias. Se os enfermeiros estão na primeira linha do combate, essa situação deveria ser considerada doença profissional e não fossem penalizados”.

Juan Carvalho aproveita o momento para lembrar os efeitos das reivindicações sindicais na contratação, por parte do Serviço Regional de Saúde, de mais de 400 de enfermeiros durante a última legislatura, “o que permite que o serviço esteja a dar uma resposta capaz neste momento”.