Diretores de serviço demissionários satisfeitos com renúncia de Mário Pereira

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, esteve recentemente na Região, onde contactou com os médicos demissionários e deixou a mensagem relativamente à melhor solução, a saída de Mário Pereira da direção clínica. O que agora acontece.

A notícia de que Mário Pereira, o diretor clínico do SESARAM, médico indicado pelo CDS para o cargo na sequência da negociação envolvendo os partidos da coligação governamental, tinha renunciado ao cargo, está a ser muito bem recebida no grupo de mais de 30 diretores de serviço e coordenadores do Serviço Regional de Saúde que tinham apresentado a sua demissão por discordarem da indicação política de Mário Pereira para o cargo técnico sem que houvesse, no mínimo, o reconhecimento dos pares.

Hoje, como o FN já fez eco, a RTP Madeira anunciou a decisão de Mário Pereira, de querer fazer parte da solução e não do problema que se arrastava há demasiado tempo e que se mantinha numa altura em que a Região prepara a intervenção em casos de aparecimentos de situações relacionadas com o coronavírus, um combate que exigirá dos serviços uma total disponibilidade e serenidade, segundo disse hoje o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, quando abordou o assunto numa iniciativa pública.

Pedro Ramos tinha afirmado que o bem da Saúde era a serenidade na Saúde, deixando claro que o importante era a retomada, tão rápida quanto possível, de uma pacificação no SESARAM, onde os médicos diretores de serviço, na sua maioria, mantinham a intransigência relativamente à demissão conjunta, situação que poderia, a ser concretizada, colocar em causa a capacidade formativa, o futuro dos internos e o reconhecimento da idoneidade hospitalar numa altura em que, mais do que nunca, o Serviço Regional de Saúde necessita de uma concentração máxima.

Recorde-se que, na última reunião dos médicos demissionários, foi decidido solicitar uma audiência urgente ao presidente do Governo, cujo pedido foi hoje formalizado, sendo que Miguel Albuquerque já tinha manifestado intenção de aceder a esse pedido, segundo noticiou o DN. Entretanto, a renúncia de Mário Pereira veio resolver o impasse e segundo conseguimos apurar o pedido de audiência poderá ser retirado, uma vez que o motivo do mesmo deixou de existir.

Este “folhetim” relacionado com a designação do diretor clínico do SESARAM começou com a indicação, por parte do CDS, do nome da médica Filomena Gonçalves, que tinha saído do Serviço de Saúde e que, para poder ser nomeada no âmbito desta negociação governamental, obrigava a uma alteração de estatudos do SESARAM. A presidente do conselho de administração, Rafaela Fernandes, indicada pelo PSD, reuniu com diretores de serviço e colocou em cima da mesa o nome da médica. O resultado foi um chumbo alargado, situação que incomodou aquela profissional, que recusou a indicação alegando que não estava para enxovalhos públicos.

Seguiu-se Mário Pereira, que até já estava a estabelecer contactos junto com a médica Filomena Gonçalves. O resultado foi o mesmo, chumbo por parte dos diretores de serviço, mas com uma diferença, um braço de ferro entre Governo e os ditos contestatários, sendo que a nomeação foi para a frente e a posse também. Miguel Albuquerque chegou a afirmar que quem quisesse que se demitisse. Uma posição de força que foi mal recebida pela classe e que teve em Pedro Ramos o contraponto ao apontar, sempre, o caminho do diálogo com os médicos. Mas o aviso de Albuquerque teve resposta imediata, o pedido de demissão dos mais de 30 diretores e coordenadores do SESARAM. Uma situação que se manteve até hoje, altura em que a “corda” partiu pelo lado do Governo, que agora estará a braços com um novo problema que teve dificuldade de gerir. Resta saber se o próximo diretor clínico será indicado pelo CDS, como acordado, e se será sufragado pelos pares antes de ser indicado.

Sem qualquer reação governamental sobre esta renúncia, apesar das tentativas feitas pelo Funchal Notícias, fica a única confirmação pública, atribuída ao Governo Regional, por parte do DN Funchal, que deixa assim a posição “oficial” de que a saída de Mário Pereira está confirmada e que terá sido tudo “concertado” entre o líder do CDS e o presidente do Governo.

Refira-se, ainda, no contexto da situação, a deslocação à Madeira do responsável pela Ordem dos Médicos, que reuniu com a administração do SESARAM e com os médicos demissionários, deixando no final a mensagem que o melhor desfecho seria a saída do médico Mário Pereira da direção clínica. O que agora aconteceu.